"E hoje estou aqui só pra te cobrar o que você disse que iria ser pra sempre.
Mas não foi assim.
Agora o que me resta, escrever nessa carta pra lembrar..." (Nx zero)
Hoje faz exatamente dois anos e 18 dias desde que você seguiu o inevitável caminho da eternidade.
Você tinha apenas 20 anos, isso quer dizer que sempre esteve um passo na minha frente.
Eu nunca consegui prever seus pensamentos, suas atitudes ou decisões, comecei a aceitá-las a aceitar seu jeito arogante de encarar a vida um pouco tarde demais.
Esperava você na janela, na escola, na ruela...
Ainda me recordo com grandes saudades do nosso ninho... do verde dos teus olhos no escuro... do teu sorriso sarcástico no fim de tudo.
Posso jurar que quando se viu naquele caminho sem volta a que estava destinado ainda pensou em mim... e na vida que por alguma ironia não vivemos.
No meu ultimo sonho contigo (na noite da sua partida) tu me davas um abraço e dizia que era hora de partir...
- E quando voltaria? perguntei.
- Jamais haveria de ser capaz de te deixar sozinha!
No dia seguinte eu estava pronta pra te visitar no hospital quando o telefone tocou com a noticia mais tragica que meu coração um dia suportou.
- Seu beija-flor se foi.
Só Deus sabe que forças me mantiveram de pé ante aquela tragédia toda.
Recordo-me de um dos capitulos de Don Casmurro descrevendo a reação de Capitu no momento da encomendação e da partida:
"Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria arrancá-la dali. A confusão era geral. No Meio dela, Capitu olhou alguns instantes para ver o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas...
... Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a gente que estava na sala. Redobrou as carícias para a amiga, e quis levá-la; mas o cadáver parece que a retinha também. Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem as palavras desta, mas grande e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã..." (Machado de Assis)
As lagrimas foram-se quase todas... mas a dor da saudade... permanece intocada;
domingo, 28 de novembro de 2010
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Dos amores da mãe I
"Vamos embora companheiro, vamos ... Eles estão por fora do que eu sinto por você!
Me dê sua pata peluda, vamos passear Sentindo o cheiro da rua. Me lamba o rosto, meu querido, lamba E diga que também você me ama
Eu quero ver seu rabo abanando Vamos ficar sem coleira
...Até que a morte nos separe, meu amor!" (Os mutantes)
Benji completou dez anos.
Calma ai... ao processar a ideia me dou conta: foi uma década junto ao ser mais perto da divindade que eu tenho o privilégio de conviver.
Ele chegou com apenas dois meses... um poodle champagne quase marrom, mais peludo do que o normal e mais calmo do que de costume eles são.
Ouso dizer que na natureza teria sido o melhor lider de matilha que poderia existir.
Nós não o escolhemos, a escolha sempre partiu de seu pequeno grande coração.
Um atleta desde novo, quando tinha apenas seis meses comecei a levá-lo para correr...era parte de sua rotina chegar cansado e se espreguiçar na frente do ventilador.
Mimado desde cedo, foi humanizado mais do que o necessario e acabou por nos tranformar em parte cães.
Aprendi com ele a ser feliz com as pequenas coisas que cercam meu dia a dia:
um dia de sol, uma flor no caminho, uma arvore de sombra gostosa, um pouco de agua fresca em dias quentes... o vento batento no rosto.
Benji, meu lindo Benji!
Será voce apenas um cachorro? Ou também um pouco gente?
Eu sinto a centelha divina em ti cintilar, e nos atrair.
Não é só porque voce esta ficando velhinho que vai se livrar dos meus abraços, dos nossos beijos molhados e das minhas magoas confessas.
O seu lugar esta sempre reservado na minha cama e meu travesseiro pode roubar...eu não ligo se deitar.
FIca comigo pra sempre vai? A minha alma gemea canina é você...
se duvida é só perguntar, eu nunca aprendi a te dizer não.
Eu só sei todo dia ... minuto a minuto... te amar.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
" Capitu, me deixe em paz!"
Observe tudo que a sua volta está
Perceba o quanto a órbita em torno de ti oscila
Abra bem seus olhos
pois o ardor é mais forte que a rima
Sinta o peso do ar que de ti escapa
Que quase sem querer faz o tempo em si parar
Sem deixar aos transuentes outra opção
Que não seja retribuir o seu furtivo olhar
Concentre-se nas palavras que te falam
Sem no entando dizer
Alem do que estas entrelinhas gritam
Sobre o vazio que fica quando tua orbita se desfaz
Sorria por um breve instante ao som da falta de rima
Ouça a pulsação de cada palavra minha
Que escapam do poema ao encontro da sua cina
Com o objetivo de encontrar em ti planeta
Um pouco de tua propria vida escondida
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Dos amores de mãe II
"Duvida que do céu a abóbada azulada
Tenha esferas de luz de um mágico esplendor,
Duvida que seja o sol o facho da alvorada,
Duvida da verdade em tua alma gravada,
Mas não duvides nunca, oh! Nunca, d'este amor."
(William Shakespeare)
Ela era um lindo filhote de poodle branco de focinho marrom com olhos castanhos incomuns quando a vi pela primeira vez. Logo se via que não se tratava de uma cadela qualquer.
Seu nome era pronunciado sempre como uma prece, pois refletia o primeiro milagre da vida criado por humanos: Dolly.
Porém essa realmente era diferente das outras, não apenas pelas características impares que carregava em si, mas pela sua alma particularmente mais doce que mel.
Lembro com enormes saudades de suas fugas ao meio dia quando sua Donna esquecia por dois segundos o portão entreaberto, afinal não bastava mais do que isso para que lá se fosse Dolly como uma flecha ganhando o mundo com as patas.
E Solange costumava me gritar pela janela antes de tentar buscar a fujona:
- Tássia pega a Dolly pra mim, por favor.
Por favor?
Por Dolly eu faria isso mil vezes no mesmo dia sem pestanejar, não poderia negar-lhe um pouco de retribuição, pois nem um dia sequer ela negou-me sua feliz alegria ao me esperar com latidos no portão.
Eu era a sua escolhida entre todos os outros.
Infelizmente Dolly seria incapaz de negar-me um ultimo aprendizado: a partida.
Ela brincava conosco nesse dia, surpreendia-me que mesmo com seus doze anos ainda conservava em si a antiga alegria infinda dos tempos de filhote destruidor, sem permitir que a idade a roubasse.
E por ironia num desses instantes de êxtase ela de um ultimo suspiro e caiu pro lado.
Um fim merecido! Depois de tantos anos de devoção ofertados sem cobranças.
A consciência de sua perda nos vem aos pouco: um brinquedo furado com os poucos dentes que lhe sobraram, o tapete fora do lugar, a falta de mais um latido no corredor, a saudade do pêlo branco nas roupas...ninguém sabe sem ela passear.
Falta aquele ar de sabedoria que o tempo gravou em seu semblante.
Sinto tanto a sua falta pequena.
As lagrimas insistem em cair... Representam nossas faltas de tempo, as brincadeiras, os latidos, as abordagens, a sua partida.
Seus humanos desejam que haja um cantinho bem quente para ti no céu dos cães e claro todas as boas delicias que você adorava aqui na terra que não conseguíamos negar aqueles "olhinhos castanhos incomuns".
Um dia anjo, eu espero lembrar de ti sem as inevitáveis lágrimas que teimam em cair,
Afinal teu amor por nós foi sem dúvida o melhor milagre que experimentamos de um Ser feito pelas mãos de Deus.
Seja feliz, no céu dos cães minha pequena grande Dolly.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Um não sei o quê
Certo alguém um dia disse:
- Os amigos vêm e vão, por horas, dias ou uma estação.
Fabrício tinha a mania irritante de dizer frases soltas em momentos inoportunos, naqueles breves instantes as palavras lhe brotavam pelas veias e o impediam de se conter, porém Beatriz nunca via nenhuma necessidade de serem ditas ali enquanto estavam sentados debaixo da mangueira.
Mas algumas dessas frases soltas sempre acabavam se encaixando num quebra cabeça sem fim chamado vida, onde sempre parece sobrar ou faltar uma peça e nós ficamos olhando boquiabertos para o imprevisto.
Não se pode fugir.
É como ser pego de surpresa por alguém que não vemos há muito tempo.
Do nada uma mão acena do outro lado da rua e pensamos:
- Oh aquela pessoa ali parece a minha amiga dos tempos de escola, mas não pode ser ela...tão mudada que está.
Percebemos que na primavera da infância essas mesmas pessoas parecem ser UMA simplesmente,porém com o passar dos anos essa simplicidade diminui, a complexidade nos surpreende e certas características continuam irritantemente iguais as que costumamos lembrar num dia qualquer, do nada.
O inesperado está sempre na espreita aguardando um segundo de distração e lá estamos nós de novo: perfeitamente confusos quando uma velha desavença do passado nos pede abrigo por algum motivo.
De coração desarmado: como negar o abraço?
O destino se diverte a nossa custa com suas tantas ironias, cruzando caminhos que seguem em direções totalmente opostas.
- Dê o abraço e vá embora (sábio conselho de Fabrício).
- Não se abraça sem se envolver seu babaca. Uma vez doado, a alma compromete-se.
Beatriz deveria sentir-se inútil e partir quando não mais fosse desejada em uma vida; esse é um conceito simples para qualquer pessoa, menos pra ela.
Não percebe que não estando presente é, talvez, a forma mais precisa das pessoas notarem sua falta, seja pela ausência das risadas que costuma dar ou pelas frases soltas em momentos inoportunos(tão irritantes como as de Fabrício).
Alguns seres só estão presentes em nossa vida por apenas uma estação, seja qual for, para nos marcar.
Ensinar algo, não há possibilidade de fugir da lição.
Acontecem porque tem de acontecer e passam como uma tempestade de verão.
Que nos resta aprender?
Beatriz interroga-se sem entender bem para que servem todo esse aprendizado a que é submetida.
E chora por puro desamparo.
Sabe que no fundo, por mais que se disfarce, certas pessoas sempre nos deixam o sentimento de estarmos sozinhos até as células quando se vão, levando consigo um pedaço de nosso coração na bagagem.
E talvez nunca se dêem conta da falta que fazem.
São insuportavelmente insubstituíveis.
Deixaram conosco um santuário vazio após a inevitável partida.
E uma imensa saudade que sentimos de nós mesmos enquanto listamos todas as possibilidades que não poderemos viver.
- Os amigos vêm e vão, por horas, dias ou uma estação.
Fabrício tinha a mania irritante de dizer frases soltas em momentos inoportunos, naqueles breves instantes as palavras lhe brotavam pelas veias e o impediam de se conter, porém Beatriz nunca via nenhuma necessidade de serem ditas ali enquanto estavam sentados debaixo da mangueira.
Mas algumas dessas frases soltas sempre acabavam se encaixando num quebra cabeça sem fim chamado vida, onde sempre parece sobrar ou faltar uma peça e nós ficamos olhando boquiabertos para o imprevisto.
Não se pode fugir.
É como ser pego de surpresa por alguém que não vemos há muito tempo.
Do nada uma mão acena do outro lado da rua e pensamos:
- Oh aquela pessoa ali parece a minha amiga dos tempos de escola, mas não pode ser ela...tão mudada que está.
Percebemos que na primavera da infância essas mesmas pessoas parecem ser UMA simplesmente,porém com o passar dos anos essa simplicidade diminui, a complexidade nos surpreende e certas características continuam irritantemente iguais as que costumamos lembrar num dia qualquer, do nada.
O inesperado está sempre na espreita aguardando um segundo de distração e lá estamos nós de novo: perfeitamente confusos quando uma velha desavença do passado nos pede abrigo por algum motivo.
De coração desarmado: como negar o abraço?
O destino se diverte a nossa custa com suas tantas ironias, cruzando caminhos que seguem em direções totalmente opostas.
- Dê o abraço e vá embora (sábio conselho de Fabrício).
- Não se abraça sem se envolver seu babaca. Uma vez doado, a alma compromete-se.
Beatriz deveria sentir-se inútil e partir quando não mais fosse desejada em uma vida; esse é um conceito simples para qualquer pessoa, menos pra ela.
Não percebe que não estando presente é, talvez, a forma mais precisa das pessoas notarem sua falta, seja pela ausência das risadas que costuma dar ou pelas frases soltas em momentos inoportunos(tão irritantes como as de Fabrício).
Alguns seres só estão presentes em nossa vida por apenas uma estação, seja qual for, para nos marcar.
Ensinar algo, não há possibilidade de fugir da lição.
Acontecem porque tem de acontecer e passam como uma tempestade de verão.
Que nos resta aprender?
Beatriz interroga-se sem entender bem para que servem todo esse aprendizado a que é submetida.
E chora por puro desamparo.
Sabe que no fundo, por mais que se disfarce, certas pessoas sempre nos deixam o sentimento de estarmos sozinhos até as células quando se vão, levando consigo um pedaço de nosso coração na bagagem.
E talvez nunca se dêem conta da falta que fazem.
São insuportavelmente insubstituíveis.
Deixaram conosco um santuário vazio após a inevitável partida.
E uma imensa saudade que sentimos de nós mesmos enquanto listamos todas as possibilidades que não poderemos viver.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Dos amores de mãe
"Se você quiser realmente aproveitar a companhia de um cão, não o treine para ser um 'semi-humano'. Abra seu espírito para a possibilidade de tornar-se, parcialmente, um deles."
(Edward Hoagland)
Há quem diga que os cães são sujos, outros que não os querem por perto e os mais radicais afirmam que não deveriam existir.
Não imagino uma forma de escrever sobre o tema sem me envolver.
Os cães... falar sobre eles é como falar de algo tão sublime como a leitura, acho que ainda mais.
Os sentimentos que me unem a eles.
Acho que por esse motivo tenho 2, mas se pudesse teria uma matilha.
Acredito que a verdadeira magia desses seres tão fantasticos esteja na forma em que existem em total sintonia com a Mãe natureza.
Não desejam ser iguais a nós humanos, pelo contrario, resgatam em nós a nossa forma mais primitiva de existir: como animais.
E animais que somos, desejamos a sintonia com o cosmos, aquele sexto sentido que perdemos há muito e o que mais doi...sermos nós mesmos. UM. Em todas as ocasioes.
Sem máscaras.
Eles são anjos, de quatro patas, tão eles mesmos que nos afetam.
Inspiram.
Quem dera um dia aprendermos que sem eles o mundo seria tão vazio.
Tão escuro. Frio.
Por não serem semi-humanos aprendemos com seres diferentes e primitivos que conseguiram ser tudo que queriam.... inclusive ELES MESMOS.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Fe-licidade
Ele tinha o sorriso mais bonito do mundo.
Anos depois quando me recordasse do seu nome seria essa a caracteristica mais marcante naquele ser. Feito de sonho e solidão.
Quando desci aquelas escadas toda pintada o avistei do outro lado da rua, era notavel a minha queda evidente por ele. Por aquele sorriso.
Nossos olhares por fim se cruzaram e o magnetismo que a atmosfera exercia sobre meu eu, também parecia o prender a mim.
A menina que estava ao seu lado, de súbito foi ignorada. Não entendeu o porque da negação inusitada.
Ele me olhava!
Olhava e sorria.
Seu sorriso tinha gosto de: FE-licidade.
Era embriagante estar ao lado dele em meio ao caos pós trote.
Ele um veterano, Ela apenas caloura.
Tão novata quanto ele nas disciplinas do amor.
O cheiro dele de tão suave chegava a ser nostalgico, sua pele que de tão branca quase brilhava; no escuro do bar ele parecia se destacar.
Um em um milhão.
E quanta solidão continha aquele coração?
Não aquela de estar sem namorada. A sua falta era diferente.
Tinha falta de estar dentro, de conexão consigo mesmo, era desprovido de tempo e de espaço. Não se encontrava no contexto exato.
Conhecia a geografia das montanhas, dos mares, dos céus. Mas desconhecia-se.
Era forte, mas sentia-se frágil.
Ao contrario dos homens comuns não nasceu pra ficar sozinho.
Negava-se a amores vãos, seu coração ficava guardado dentro do peito, numa redoma de cristal...até aquele momento somente uma donna o havia possuido e o quebrara com descaso.
A outra que me assombrava naquela atmosfera toda.
Conversavamos ignorando os outros,descobrimos afinidades e dispariedades, sentiamos falta do que não vivemos e uma saudade absurda do que não poderiamos viver.
A confiança que exigia de mim o fazia abrir-se pouco a pouco naquela conversa de bar.
Julgava-se invisivel, esquecendo-se completamente que eu o estava enxergando tão bem, a ponto de sentir sua alma.
Adivinhava as palavras mesmo que essas não lhe saissem pela boca.
Seu olhar revelava um pedaço do seu coração partido.
Mesmo com tanta confusão a nossa volta...eramos um do outro naquele breve instante.
Depois desse dia nos perdemos.
Ele me procurando e não encontrando, eu o desejando sem que ele soubesse.
Pareciamos estar caminhando na contramão do amor.
Meses mais tarde ao telefone, combinamos ao admitir: A gente ria tanto desses nossos desencontros.
Não poderiamos apressar o cosmos, o reencontro aconteceria quando estivessemos prontos.
Tantas palavras trocadas, tantos planos. A urgencia do encontro tão esperado.
Nesse dia o céu pareceu concordar. O cenario estava armado:
- Oi!! - braços abertos...e o sorriso mais lindo do mundo na face rubra e febril.
Seguido dos beijos tão desejamos.
- Tchau pedaço de Fe-licidade.
Nos perdemos a partir dai.
Mas haveria para sempre a lembrança do sorriso que fazia os meus dias terem cor e sabor.
Do rapaz que aos poucos me ensinou um pouco de tudo o que eu precisava saber: a sonhar, a arte de esperar, a curiosidade necessaria para aprofundar-me nos mares desconhecidos.
A descobrir além da topografia do corpo.
A Sentir-me no limite da emoção.
A ponto de desejar apenas morrer de amor. (Seria possivel?)
Uma noite me lembrei de suas palavras ao telefone:
- Eu quero ter você a vida inteira. Longe ou perto. Dentro.
Sorri.
Anos depois quando me recordasse do seu nome seria essa a caracteristica mais marcante naquele ser. Feito de sonho e solidão.
Quando desci aquelas escadas toda pintada o avistei do outro lado da rua, era notavel a minha queda evidente por ele. Por aquele sorriso.
Nossos olhares por fim se cruzaram e o magnetismo que a atmosfera exercia sobre meu eu, também parecia o prender a mim.
A menina que estava ao seu lado, de súbito foi ignorada. Não entendeu o porque da negação inusitada.
Ele me olhava!
Olhava e sorria.
Seu sorriso tinha gosto de: FE-licidade.
Era embriagante estar ao lado dele em meio ao caos pós trote.
Ele um veterano, Ela apenas caloura.
Tão novata quanto ele nas disciplinas do amor.
O cheiro dele de tão suave chegava a ser nostalgico, sua pele que de tão branca quase brilhava; no escuro do bar ele parecia se destacar.
Um em um milhão.
E quanta solidão continha aquele coração?
Não aquela de estar sem namorada. A sua falta era diferente.
Tinha falta de estar dentro, de conexão consigo mesmo, era desprovido de tempo e de espaço. Não se encontrava no contexto exato.
Conhecia a geografia das montanhas, dos mares, dos céus. Mas desconhecia-se.
Era forte, mas sentia-se frágil.
Ao contrario dos homens comuns não nasceu pra ficar sozinho.
Negava-se a amores vãos, seu coração ficava guardado dentro do peito, numa redoma de cristal...até aquele momento somente uma donna o havia possuido e o quebrara com descaso.
A outra que me assombrava naquela atmosfera toda.
Conversavamos ignorando os outros,descobrimos afinidades e dispariedades, sentiamos falta do que não vivemos e uma saudade absurda do que não poderiamos viver.
A confiança que exigia de mim o fazia abrir-se pouco a pouco naquela conversa de bar.
Julgava-se invisivel, esquecendo-se completamente que eu o estava enxergando tão bem, a ponto de sentir sua alma.
Adivinhava as palavras mesmo que essas não lhe saissem pela boca.
Seu olhar revelava um pedaço do seu coração partido.
Mesmo com tanta confusão a nossa volta...eramos um do outro naquele breve instante.
Depois desse dia nos perdemos.
Ele me procurando e não encontrando, eu o desejando sem que ele soubesse.
Pareciamos estar caminhando na contramão do amor.
Meses mais tarde ao telefone, combinamos ao admitir: A gente ria tanto desses nossos desencontros.
Não poderiamos apressar o cosmos, o reencontro aconteceria quando estivessemos prontos.
Tantas palavras trocadas, tantos planos. A urgencia do encontro tão esperado.
Nesse dia o céu pareceu concordar. O cenario estava armado:
- Oi!! - braços abertos...e o sorriso mais lindo do mundo na face rubra e febril.
Seguido dos beijos tão desejamos.
- Tchau pedaço de Fe-licidade.
Nos perdemos a partir dai.
Mas haveria para sempre a lembrança do sorriso que fazia os meus dias terem cor e sabor.
Do rapaz que aos poucos me ensinou um pouco de tudo o que eu precisava saber: a sonhar, a arte de esperar, a curiosidade necessaria para aprofundar-me nos mares desconhecidos.
A descobrir além da topografia do corpo.
A Sentir-me no limite da emoção.
A ponto de desejar apenas morrer de amor. (Seria possivel?)
Uma noite me lembrei de suas palavras ao telefone:
- Eu quero ter você a vida inteira. Longe ou perto. Dentro.
Sorri.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Das esperanças que não foram perdidas...II
Era hoje um dia como outro.
Tirando o diagnostico em suas mãos a normalidade com certeza continuaria.
- Você tem Tuberculose, minha filha. Não há outra explicação pra esse monte de
anomalia nos seus pulmões.
O termo carinhoso não servia de consolo. A médica tentava não apavorá-la, mas seus olhos não mentiam...aquele brilho fosco revelava bem mais do que a voz que se ouvia.
O coração aos pulos. Sentia-se tão pequena naquele consultorio. Agarra a bolsa com a ansia de quem segura firme no parapeito da janela antes de cair. O couro confundido com concreto.
Estava armado o cenario na vida rela, não se restringia apenas a paisagem pintada a mão na primeira pagina de um livro que lera há uns tempos atrás...onde no fim a heroina entregava-se resignada ao "mal do século".
O rapaz, pobre rapaz, a segurava pela mão para alentar seus ultimos instantes enquanto preparava-se para receber de seus lábios o ultimo suspiro de Daniela.
Era chegada a hora da encomendação e posteriormente a da partida.
Apagaria-se a ultima luz da varanda.
Mas não ela.
No fundo era esse o destino sonhado em seus dias de nostalgia.
O século XIX guardava pra si (somente para si) o fim, não mais aquele fim definitivo que muitos romanticos já sonharam pra si...hoje haveria de ser um novo começo...
como se a ultima pagina do romance, decidisse por si mesma, que o destino não privaria os dois amantes do "viveram felizes para sempre"...
Porém a folha de papel na sua mão, anunciava exatamente isso:
o ar em seus pulmões haveriam de entrar e ficar. Quando decidissem sair levariam consigo um pouco de sua dor pelo mundo...e iriam parar de ajudar a viver e a levariam a odiar a sensação de respirar.
Era até ironico. Logo, Carolina, que sempre sentiu-se uma sufocada de natureza.
Queria o fim, o meio, o inicio do dia. Tentava achar sua razão que ficara perdida no momento que o dia não mais era um outro qualquer. "Naquele segundo que durou bem mais do que mil segundos".
Durou décadas...em que cada ano lhe roubava mais do que uma mera fantasia. Lhe privava de eras.
Gostaria de chamar de a força do destino, mas sabia que Deus estava atras de alguma cortina, controlando de longe cada passo dado pelo acaso naquela estoria toda.
A sua força segurava-a pela cintura...como que a impedindo de cair na historia em que a protagonista na verdade era Daniela, não ela.
Não há um manipulador de fantoches.
O mesmo Deus que mantem os planetas em orbita...é o mesmo que está trabalhando em algum lugar por ai...
O dia haveria de mudar...junto com sua sorte.
O sol não haveria de se pôr....
Tirando o diagnostico em suas mãos a normalidade com certeza continuaria.
- Você tem Tuberculose, minha filha. Não há outra explicação pra esse monte de
anomalia nos seus pulmões.
O termo carinhoso não servia de consolo. A médica tentava não apavorá-la, mas seus olhos não mentiam...aquele brilho fosco revelava bem mais do que a voz que se ouvia.
O coração aos pulos. Sentia-se tão pequena naquele consultorio. Agarra a bolsa com a ansia de quem segura firme no parapeito da janela antes de cair. O couro confundido com concreto.
Estava armado o cenario na vida rela, não se restringia apenas a paisagem pintada a mão na primeira pagina de um livro que lera há uns tempos atrás...onde no fim a heroina entregava-se resignada ao "mal do século".
O rapaz, pobre rapaz, a segurava pela mão para alentar seus ultimos instantes enquanto preparava-se para receber de seus lábios o ultimo suspiro de Daniela.
Era chegada a hora da encomendação e posteriormente a da partida.
Apagaria-se a ultima luz da varanda.
Mas não ela.
No fundo era esse o destino sonhado em seus dias de nostalgia.
O século XIX guardava pra si (somente para si) o fim, não mais aquele fim definitivo que muitos romanticos já sonharam pra si...hoje haveria de ser um novo começo...
como se a ultima pagina do romance, decidisse por si mesma, que o destino não privaria os dois amantes do "viveram felizes para sempre"...
Porém a folha de papel na sua mão, anunciava exatamente isso:
o ar em seus pulmões haveriam de entrar e ficar. Quando decidissem sair levariam consigo um pouco de sua dor pelo mundo...e iriam parar de ajudar a viver e a levariam a odiar a sensação de respirar.
Era até ironico. Logo, Carolina, que sempre sentiu-se uma sufocada de natureza.
Queria o fim, o meio, o inicio do dia. Tentava achar sua razão que ficara perdida no momento que o dia não mais era um outro qualquer. "Naquele segundo que durou bem mais do que mil segundos".
Durou décadas...em que cada ano lhe roubava mais do que uma mera fantasia. Lhe privava de eras.
Gostaria de chamar de a força do destino, mas sabia que Deus estava atras de alguma cortina, controlando de longe cada passo dado pelo acaso naquela estoria toda.
A sua força segurava-a pela cintura...como que a impedindo de cair na historia em que a protagonista na verdade era Daniela, não ela.
Não há um manipulador de fantoches.
O mesmo Deus que mantem os planetas em orbita...é o mesmo que está trabalhando em algum lugar por ai...
O dia haveria de mudar...junto com sua sorte.
O sol não haveria de se pôr....
terça-feira, 6 de julho de 2010
Das esperanças que não foram perdidas...
"Pálida sombra dos amores santos!
Passa quando eu morrer no meu jazigo,
Ajoelha ao luar e entoa um canto...
Que lá na morte eu sonharei contigo. (Alvares de Azevedo)
A eterna sina dos românticos é padecer sonhando.
Carolina, LIA, RELIA, SORVIA cada palavra do livro romântico que tinha nas mãos.
Sonhava com o mesmo destino um dia: a morte da heroína tuberculosa.
Mas, não. Não haveria de ser. Não para ela.
Considerava injusto haver apenas uma doença com o status de romântica.
Há tantas outras que os enamorados sofrem todos os dias.
Carol sofria da indiferença daqueles que não entediam seu desejo de desaparecer. Um dia, uns meses, uns anos.
Devorava seus livros de contos e encantos, não pela beleza da escrita, mas pela feiúra da vida.
A tosse fazia-lhe doer o peito, como se lhe cravassem navalhas. Tentava fechar a boca, para impedir que seu coração não saísse por ai...caminhando pelo mundo. Sozinho. Mudo.
Chorava, não pela falta de amor. Amor ela possuía, só não sabia usa-lo quando transformava-se em farpas.
As lágrimas corriam-lhe pela face, por padecer no paraíso.
Por mais que crescesse sempre existiria alguma coisa não haveria de entender.
O pior eram as madrugadas insones quando seu corpo não conseguia descansar.
Dava às palavras: vida, amor, sonhos e gloria uma significação profunda.
Uma noite não resistiu... pediu a Deus o fim do tormento juntamente com o fim da vida, para que a mesma terminasse junto com a vontade de sorver o ultimo ar. Pereceria junto a esperança do esquecimento.
Como a ultima luz na varanda.
Deus não ouviu suas preces.
Ao contrario, mostrou por um instante breve, a face.
Acarrancou-lhe a dor (da alma, do pulmão, do coração) para que Carol tivesse um sono sem remédios.
Era tao difícil a falta de palavras para lidar com tudo isso.
Ela só sabia rogar.
- Meu Deus está tudo em suas PODEROSAS mãos...
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Das faltas de Capitu
"Você deixou saudade
Quero te ver outra vez ..." (C.B. Jr.)
"Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.
Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, como a última luz na varanda.
E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero na salada — o meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa. Calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolhas? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros. Venha para casa, Senhora, por favor."
(TREVISAN, Dalton. In: O conto brasileiro contemporâneo. São Paulo:Cultrix, 1997.p. 190.)
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Gustavo e Carolina
"Ninguém sai com o
Coração sem sangrar
Ao tentar re...velar
Um ser maravilhoso
Entre a serpente e a estrela" (Zé Ramalho)
Sentada num canto do quarto, Carolina questionava-se sobre as desilusões da vida.
O frio que fazia era cortante e parecia agravar ainda mais aquelas frustações todas.
Ela pensava: "Talvez não exista amor mais profundo (mais profundo) do que o amor vagabundo"...
Essa frase lhe espantava o sono muitas vezes. Será verdade? (Não sabia, mas sentia).
O arrepio ainda corria-lhe pela espinha quando lembrava-se do toque das mãos brutas e delicadas de Gustavo (nome forte e estremecedor que tanto gostava).
Ele era misterioso, calado e obstinado. Detalhista como poucos.
Adorava dizer seus pensamentos mais audaciosos ao pé do ouvido dela, essa era a sua ousadia.
O sorriso de ambos (sim, os sorriso ofertados um ao outro enquanto conversavam)era magnetizante!
Parecia atrair os olhares dos transuentes que não entendiam as idiossincrasias daquele instante.
As mãos...as mãos atrevidas que tanto temia, era a marca registrada daquele homem.
Seus olhos grandes e atraentes que criavam uma atmosfera de misterio a sua volta, fascinavam (principalmente quando ele a olhava tentando talvez enxergar sua alma).
Ela bem que tentou mostra-la de forma subjetiva e atrapalhada...era a primeira vez que era timida.
Nos braços dele era uma menina.
Sem palavras. O amor que viviam era feito de: mãos, olhos, arrepios...
Tão silencioso. Tão fascinante.
Quem sabe um sono só de sonhos???
Até hoje não sabe responder.
Se era uma serpente ou uma estrela aquele rapaz...não houve resposta para definir.
Ficou o eco daquelas "palavras de despedida": - Você foi apressada em tirar conclusões; Gustavo sempre dizia.
Mal sabia que Carolina era afobada de natureza, seu erro foi tentar ser perfeita.
Não usou o lirismo todo que nela havia; ao tentar esconder dele suas ilusões de menina, tornou-se uma caricatura que não o motivou a descobri-la.
Ele? Ah ele era indefinivel. Nunca conseguira traduzir suas entrelinhas.
Uma lástima...
E da separação?
Não...Carolina não seria capaz de apagar aquelas digitais dos caminhos da sua pele.
Ficariam ali como tatuagem.
Daquelas que olhamos, sorrimos e ao lembrar seu significado... um errepio nos percorre a espinha (é mentira?).
O sorriso brota nos lábios ao lembrar de suas trapalhadas ao tentar conquistar Gustavo. Achava que nunca o teria completamente...tão desconfiado que era.
Ele no fundo é um passro selvagem que quando preso morre.
Jamais desejaria o amor dele se isso lhe custasse a liberdade.
Gustavo haveria de ir e vir e ficar quando desejasse. DESEJO.
Como sentia falta da forma de demonstrar desejo daquele jeito nordico que só ele sabia.
Era extasiante.
Bem, por hora, Gustavo neste momento deve estar em algum lugar questionando alguma coisa que parece boa demais pra ser verdade NA SUA REALIDADE.
Carol, deve estar doida pra encontrar uma resposta as suas perguntas utopicas.
E ambos???? Bem ...ambos ainda devem lembrar-se (ao menos) dos arrepios e dos sorrisos.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Do tempo em que do amor...só restou o pó
♪ Só nos sobrou do amor a falta que ficou ♪ Legião Urbana
Relembro nossos momentos de cumplicidade com muita saudade.
Ainda posso ouvir os sorrisos das primeiras impressões trocadas na chegada ao nosso pequeno apartamento.
As malas, as apostilas, as mochilas coloridas...e aquele brilho nos olhs que há muito se esvaiu.
Nossos segredos tão secretos e tão nossos confessados nas madrugadas insones quando costumavamos desejar que o sol não voltasse a nascer.
Não naquele momento. Éramos uma familia formada só por meninas.
O cheiro das comidas exoticas e o barulho das panelas ainda novinhas ... coisas simples que ainda recordo quando entro naquele cômodo isolado.
A casa com seu ar novo explodia de vida junto com a nossa alegria de viver e compartilhar aquele momento.
As primeiras arrumações, as divisões ... atos que sumiram com o tempo.
A republica do 203 tornou-se aos poucos o nosso lar. Diga-se de passagem que éramos conhecidas na faculdade como: a maior concentração de mulheres bonitas e inteligentes por metro quadrado.
Eu ainda posso jurar que ouço a risada da Lara chegando feliz e realizada logo após uma boa dose de alcool na veia voltando de uma noite no bar. Linda...era absurdamente linda com sua pele alva e seus desejos utópicos.
A Luiza ...ainda vejo a Lu abraçando a Lara numa cena tão tocante...nós três no quarto e aquela grande incerteza sobre o que haveria de acontecer no dia seguinte em Niteroi. Tão doce era aquela pisciana misteriosa, fascinante e amorosa.
Os cartazes que se espalhavam pela casa...protestos nossos...só nossos.
O dia lindo de sol anunciava a chegada da nossa caçula: Carol.
A minha linda flor...meu querido Bebe. Palavras são inuteis para descrever a magnitudade com que ela preenchia os espaços vazios do meu pobre coração.
O pomo da discórdia: Carliane ("Carmelita"). Seria, centrada, observadora e dedicada.
Chegou pelos cantos e quando me dei por mim...era uma das poucas a defender com unhas e dentes alguem que pouco conhecia. Seu sorriso é o mais famoso da 2009.2 ...conhecido por poucos "alguéns" que a amam como ninguém.
Ju aquela ruiva desvairada que chegou com tantos "fenótipos" e acabou por quebrar os maiores paradigmas. Ela é a mais viva. A maior dedo podre que encontrei na vida.
Que saudades das noites mal dormidas.
E eu...bem eu costumava ser (há muito tempo fui...) a queridinha daquelas meninas.
Geógrafas, Escritoras, Professoras, Poetisas e amadoras.
Um dia o amor que nos unia começou aos poucos a esmorecer.
Resultado de um processo longo e quase sem volta.
O que antes era beleza e virtude, tornou-se feiúra e defeitos imperdoaveis.
A tolerancia aos poucos deixava-nos desamparadas com nossos proprios problemas.
Num momento unico de um profundo silencio: nosso castelo de sonhos ruiu.
Era dificil dar adeus, era inutil tentar traduzir aquele afastamento.
Tão doloroso.
Mas eu ainda me lembro. Juro, que ainda lembro.
Daqueles tempos em que costumavamos agradecer a Deus pelos dias de sol, felizes por existir tanta vida dentro e na atmosfera ao redor de nós.
...Uma lagrima escorre pelo meu rosto nesse exato momento...
Uma saudade imensa invade as veias do meu coração. E dói.
Ver que nossas vidas tomaram rumos tão diferentes daqueles que sonhamos um dia realizar.
Queria novamente um abraço. Um sorriso. Um pouco de nossa antiga felicidade reunida.
E poucas vezes experimentada.
Muitas saudades. MUITAS.
sábado, 3 de abril de 2010
Dos desencontros do destino
“Acabou
Agora ta tudo acabado
Seu vestido estampado
Dei a quem pudesse servir
Agora que eu não posso mais caber em ti
Não quero te ver, dizem que você não quer mais me olhar
Como velhos desconhecidos” (Ana Carolina)
Era noite quando meus olhos de relance cruzaram-se com os imensos olhos que me devoravam naquele pequeno espaço. Reconheci de primeira aquele rosto. Senti na hora o peso daquela atmosfera toda que nos rodeava.
Lembrei-me de ti e do tempo (talvez!) perdido que passei nesses braços definidos pelos pesos que levanta todos os dias naquela concorrida academia.
E pensei também nas coisas que se passaram com a gente. Reles mortais que fomos quando acreditamos silenciosamente naquela loucura toda que nos propomos.
Eu ainda recordo dos dias de chuva e de sol enquanto narrava lembranças da minha infância e esses olhos bicolores que me fitavam do outro lado da mesa de vidro espelhado. Por detrás da tela do computador já muito usado.
Pode rir agora: dos meus sonhos baratos, das minhas ilusões infundadas, dos meus amores abstratos.
Seus olhos irritados que me direcionava há muito o mesmo olhar cansado. Que um dia debocharam dos meus risos ofertados a cão vadio que me implorava um pedaço do meu coração partido.
De repente estranhei de ser eu mesma. E por quê?
Suas palavras transpassavam o meu coração despedaçado como navalhas afiadas. Entravam com precisão nas feridas abertas que ainda sagravam. O sangue parou de circular pelo corpo e começou a escorrer peito a fora, eu tentava inutilmente conte-lo com as mãos atrapalhadas para que pudesse lhe falar mais uma vez do fim que se sucedeu em mim daquele amor afim.
E você não deixava de falar da sua decisão de voltar, da sua ânsia em procurar a perfeição que não mais existia, da vontade de desfazer as cafajestagens entendidas.
O ar mantinha-se serio, profundo, impactante.
Questionava-me o tempo todo que espécie de criatura era você. Me sentia hipnotizada. Tentava a todo custo encaixar a peça do quebra cabeça que sobrava.
Em vão.
Num lapso de lucidez, levantei-me da mesa bruscamente (o rosto serio, o espírito decidido) seu olhar me acompanhou nesse momento exato (extasiado).
Pareciam não acreditar na cena que contemplavam. Não era a mesma menina frágil que conheciam. Não. Negava-me a acreditar naquilo tudo repentinamente. Me corpo já anunciando que as ultimas gotas de sangue iriam cair e dessa vez seria o fim.
Quebrado o pequeno pedaço que havia sobrado daquele amor inesperado; com a cabeça ainda oscilando entre a loucura e a razão...
O grito que veio do fundo anunciou: acabou.
Chega de você, de suas palavras ambíguas, do seu jeito leviano, de sua paixão inibida.
Num ultimo ato de coragem tu segurastes a minha mão. Quando olhei no fundo dos seus imensos olhos senti o abismo que me tragaria se não saísse rapidamente dali. Era quase inútil tentar esquecer aquela loucura toda a qual nos submeti.
Quem pensávamos que éramos para tentar traçar o destino sem usar a força das palavras?
Não sei exatamente o que passou pela minha mente quando decidi sumir. Queria que você viesse atrás de mim, mas não foi assim.
O fio invisível que nos unia rompeu-se. O poder de mudar se evaporou em algum lugar do caminho que não consigo me lembrar.
Dei as costas (já não mais suportava o peso da sua alma). Era muito forte para mim.
Mesmo a metros de ti ainda podia sentir o calor da sua respiração ofegante na minha nuca.
Ainda podia sentir sua indignação diante da minha negação.
Havia parado de chover e o céu estava quase sem nuvens. O calor que saia do asfalto era a única coisa que me preenchiam naquele breve momento na consolides na decisão.
De voce não sei quase nada. Nem poderia saber.
Não resta mais nada daquela ilusão fantasiosa que um dia desejei que fosse outra coisa além de sonho. Nem o vazio da hora tão esperada do reencontro anunciado que chegou atrasado.
Seus olhos fizeram parte de uma multidão sem voz, nem emoção quando atravessei aquela porta.
Nem para trás deu pra olhar tamanha a velocidade que voce deixou-se levar.
Nossos sonhos perderam-se nesse tempo cinza que faz há muito. Junto com as palavras que foram que nunca te direi.Só eu tentando entender o que se passava no meu coração.
“Eu já nem sei se sei de nada ou quase nada...
Eu só sei de mim, só sei de mim, só sei de mim...” (Ricardo Freitas)
domingo, 21 de março de 2010
Um dia desses I
O cansaço muitas vezes tras um tipo de êxtase que nem a mais poderosa droga é capaz de produzir; Ela sabia disso quase que por puro instinto.
sentada numa cadeira se perguntava porque os dias passam tão rapido.
O tempo que parece escorrer pelos dedos quando se tenta contê-lo.
Olhava pro relogio no canto do computador, pequeno, ligeiro...
Parecia zombar da sua vontade mansa de viver suas tardes lilases.
Deveria haver algo errado com a rotação da Terra era a unica explicação que encontrava ante a possibilidade de acontecer tudo tão depressa.
Essa velocidade toda a fazia perder alguma coisa pura e simples que ia ficando inevitavelmente pelo caminho, essa coisa indefinivel, não haveria como reencontrá-la uma vez perdida.
Seus olhos não conseguiam acompanhar as cenas que se sucediam na sua frente. O vai e vém de informações, rostos, cores e sensações.
Nesses dias em que nada parecia estar no lugar, Ela se sentia deslocada no tempo-espaço.
Seu corpo reclamava por não conseguir saber exatamente em que dimensão a mente queria divagar.
Era dificil se encontrar em meio aquela louca rotina.
As vezes parava de digitar o seu trabalho sobre a mesa e narrava mentalmente pra si, longas cronicas sobre aquela loucura toda que a fazia pirar e desejava com os olhos gulosos (como quando se deseja o brigadeiro que acabou de sair da panela)que aquela rotina de assistente acabasse logo...
E só restasse a sensação de dever cumprido. O corpo cansado. O coração estarrecido.
O namorado esperando na estação de trem de braços estendidos.
Amassada num vagão de trem buscava o ar fresco enlouquecida (tão raro naquela ambiente em que as pessoas se matam para caber uma a uma apertadinhas).
Não há escapatória para quem quer chegar do outro lado da cidade, a não ser fazer parte desse manicomio ensandecido. Sem raiva ou dor, somente o extase da esperança que lhe martela a mente dizendo: o dia acabou.
Mas haveria sempre aquela premonição de tudo já estava por re-começar.
Em um próximo minuto, em uma nova era.
Era inutil tentar escapar.
sentada numa cadeira se perguntava porque os dias passam tão rapido.
O tempo que parece escorrer pelos dedos quando se tenta contê-lo.
Olhava pro relogio no canto do computador, pequeno, ligeiro...
Parecia zombar da sua vontade mansa de viver suas tardes lilases.
Deveria haver algo errado com a rotação da Terra era a unica explicação que encontrava ante a possibilidade de acontecer tudo tão depressa.
Essa velocidade toda a fazia perder alguma coisa pura e simples que ia ficando inevitavelmente pelo caminho, essa coisa indefinivel, não haveria como reencontrá-la uma vez perdida.
Seus olhos não conseguiam acompanhar as cenas que se sucediam na sua frente. O vai e vém de informações, rostos, cores e sensações.
Nesses dias em que nada parecia estar no lugar, Ela se sentia deslocada no tempo-espaço.
Seu corpo reclamava por não conseguir saber exatamente em que dimensão a mente queria divagar.
Era dificil se encontrar em meio aquela louca rotina.
As vezes parava de digitar o seu trabalho sobre a mesa e narrava mentalmente pra si, longas cronicas sobre aquela loucura toda que a fazia pirar e desejava com os olhos gulosos (como quando se deseja o brigadeiro que acabou de sair da panela)que aquela rotina de assistente acabasse logo...
E só restasse a sensação de dever cumprido. O corpo cansado. O coração estarrecido.
O namorado esperando na estação de trem de braços estendidos.
Amassada num vagão de trem buscava o ar fresco enlouquecida (tão raro naquela ambiente em que as pessoas se matam para caber uma a uma apertadinhas).
Não há escapatória para quem quer chegar do outro lado da cidade, a não ser fazer parte desse manicomio ensandecido. Sem raiva ou dor, somente o extase da esperança que lhe martela a mente dizendo: o dia acabou.
Mas haveria sempre aquela premonição de tudo já estava por re-começar.
Em um próximo minuto, em uma nova era.
Era inutil tentar escapar.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Pensamentos soltos
(O maL de quem não sabe o que quer...)

A chuva ta caindo fina e fria aqui nessa parte do Rio que não tem serra =/
Dizem que se atravessarmos os morros a gente chega na praia. Mas de que adianta chegar lá... se não vai dar pra mergulhar?
A minha pele ta pedindo um pouco mais de cor... na verdade eu quero mais é um pouco de paz que só o vai e vém do mar me dá.
To mal acostumada a ir pra Garatucaia e contemplar aquela paisagem unica... a culpa é do Alvaro.
Dá gosto ser GEÓGRAFA lá.
Analisar os fenomenos urbanos, a expansão da cidade, o desmatamento da mata atlantica que ainda resta nas curvas da estrada de Santos, a poluição que os turistas levam, os impactos ambientais causados pela expeculação imobiliaria, o intemperismo, a erosão das rochas, o turismo de barco...
Pra quem sabe olhar a GEOGRAFIA está em toda parte =D
Outro dia me perguntaram o porquê de escolher uma área tão inusitada.
Na hora H não quis humilhar a pessoa, mas como meu senso critico não me deixa em paz, retruquei: Porque o que corre na veia não dá pra negar, muito menos pra vender sua fonte de prazer.
Ai fui obrigada a ver o Ser com aquela cara de bobo sem resposta.
Bem feito... se todo mundo fosse movido a dinheiro... o mundo não ia girar.
Afinal: quem ia segurar a barra quando a bolsa quebrar... e o social pirar???
Recomeça-se o eterno sansara.
Todo mundo quer um paraiso pra viver... eu achei meu oásis.
Com Ela eu aprendo a aprender todo dia... PERECÍVEL que sou.
Se dá pra mudar o mundo .... eu ainda não sei.
Mas já dá pra pensar em mudanças, em novos projetos de escola/sociedade, de personalidades.
Chegamos a um ponto de inevitavel fusão em que precisamos "tentar juntar" o natural e o social. Diferenciando as particularidades e unindo as universalidades.
Complexo isso...
A geógrafa ainda está em formação =D
Mas vontade de fazer o melhor que puder, não falta, não!
Um dia quem sabe a gente aprende as coordenadas da vida?
Beijão
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Fantasia de menina part.1
Havia um cheiro de coisa nova no ar.
Como quando se está em plena nostalgia a tecer planos para o futuro.
Tão misterioso.
O ar estava leve, insuportavelmente leve.
Era preciso respirar muitas para que enfim as moleculas de oxigenio preenchecem o seu insaciavel pulmão de vida.
Sentia a como se o lirismo houvesse tomado conta do seu modo de viver;
romantica desde nova: fantasiava-se de princesa, montava uma peça com apenas um ato solitario, encenava-a como a atriz principal e recebia os aplausos como uma verdadeira musa.
A platéia? Eram os elementos da natureza.
Eles lhe ofertavam de graça o cenário perfeito no quintal de casa.
Hoje lembra-se com saudades do tempo em que o mundo ainda era colorido e não havia pressa em seu coração. O ar era calmo.
Sentada no marmore da janela pela manha resolveu traçar os primeiros planos para um futuro bem próximo com Ele.
O dia era convidativo a isso.
Partiu pra ação, papel e caneta na mão, começava a estabelecer as prioridades (mas havia tantas prioridades!), a escolher as metas, a sorrir com os objetivos.
São tão infinitas as possibilidades de amor entre duas pessoas.
Com Ele o ar tinha gosto de sabado.
Todo dia era um dia novo.
Ainda ha tanto a aprender com aquele "homem forte de ombros tão curvos".
Tão saboroso o aprendizado.
Ao escolherem-se mutuamente desejavam respirar o mesmo ar.
Ser um do outro em plenitude de vida.
Os planos eram o primeiro passo. Já não bastava os que traçaram outrora quando ainda eram tão imaturos nas ilusões do amor, agora necessitavam de promessas, ações e garatias.
A entrega é sem fim.
Quando encenava suas peças de teatro infantis em sua mente quando abria os olhos e deparava-se com a face de seu cavalheiro errante sua reação era sempre indiferente diante de tantas faces iguais e sem cor de homens que tem cheiro apenas de perfume que tentavam traze-la de volta a vida morna que havia se recusado a viver.
Ela sabia quanto é duro abrir-se pra alguem que não conseguiria ver e nem manisfetar a singularide do Ser.
Recusava-se a acordar de seu sono sem sonhos de séculos inteiros.
Quando adulta já farta de dormir, o corpo dolorido pela inercia e cansada dos fiascos amorosos dos que tentaram em vão matar sua esperança.
Finalmente encontrou o cavalheiro que a fez despertar/reinventar/re-descobrir o gosto da Felicidade.
Atualmente vivem juntos em seu castelo só de sonhos, adornado de paciencia e cumplicidade.
E tentam vencer todos os dias o fantasma da solidão a dois que tenta tornar o que é unico em fragmentos de um nada.
Até agora sairam-se bem. Queimaram os barcos de volta.
Amam-se.
Por tempo indeterminado. Sem prazo de validade.
Muito além do fim dos aplausos e do cair das cortinas.
Como quando se está em plena nostalgia a tecer planos para o futuro.
Tão misterioso.
O ar estava leve, insuportavelmente leve.
Era preciso respirar muitas para que enfim as moleculas de oxigenio preenchecem o seu insaciavel pulmão de vida.
Sentia a como se o lirismo houvesse tomado conta do seu modo de viver;
romantica desde nova: fantasiava-se de princesa, montava uma peça com apenas um ato solitario, encenava-a como a atriz principal e recebia os aplausos como uma verdadeira musa.
A platéia? Eram os elementos da natureza.
Eles lhe ofertavam de graça o cenário perfeito no quintal de casa.
Hoje lembra-se com saudades do tempo em que o mundo ainda era colorido e não havia pressa em seu coração. O ar era calmo.
Sentada no marmore da janela pela manha resolveu traçar os primeiros planos para um futuro bem próximo com Ele.
O dia era convidativo a isso.
Partiu pra ação, papel e caneta na mão, começava a estabelecer as prioridades (mas havia tantas prioridades!), a escolher as metas, a sorrir com os objetivos.
São tão infinitas as possibilidades de amor entre duas pessoas.
Com Ele o ar tinha gosto de sabado.
Todo dia era um dia novo.
Ainda ha tanto a aprender com aquele "homem forte de ombros tão curvos".
Tão saboroso o aprendizado.
Ao escolherem-se mutuamente desejavam respirar o mesmo ar.
Ser um do outro em plenitude de vida.
Os planos eram o primeiro passo. Já não bastava os que traçaram outrora quando ainda eram tão imaturos nas ilusões do amor, agora necessitavam de promessas, ações e garatias.
A entrega é sem fim.
Quando encenava suas peças de teatro infantis em sua mente quando abria os olhos e deparava-se com a face de seu cavalheiro errante sua reação era sempre indiferente diante de tantas faces iguais e sem cor de homens que tem cheiro apenas de perfume que tentavam traze-la de volta a vida morna que havia se recusado a viver.
Ela sabia quanto é duro abrir-se pra alguem que não conseguiria ver e nem manisfetar a singularide do Ser.
Recusava-se a acordar de seu sono sem sonhos de séculos inteiros.
Quando adulta já farta de dormir, o corpo dolorido pela inercia e cansada dos fiascos amorosos dos que tentaram em vão matar sua esperança.
Finalmente encontrou o cavalheiro que a fez despertar/reinventar/re-descobrir o gosto da Felicidade.
Atualmente vivem juntos em seu castelo só de sonhos, adornado de paciencia e cumplicidade.
E tentam vencer todos os dias o fantasma da solidão a dois que tenta tornar o que é unico em fragmentos de um nada.
Até agora sairam-se bem. Queimaram os barcos de volta.
Amam-se.
Por tempo indeterminado. Sem prazo de validade.
Muito além do fim dos aplausos e do cair das cortinas.
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