terça-feira, 6 de julho de 2010

Das esperanças que não foram perdidas...

"Pálida sombra dos amores santos!
Passa quando eu morrer no meu jazigo,
Ajoelha ao luar e entoa um canto...
Que lá na morte eu sonharei contigo. (Alvares de Azevedo)

A eterna sina dos românticos é padecer sonhando.
Carolina, LIA, RELIA, SORVIA cada palavra do livro romântico que tinha nas mãos.
Sonhava com o mesmo destino um dia: a morte da heroína tuberculosa.
Mas, não. Não haveria de ser. Não para ela.
Considerava injusto haver apenas uma doença com o status de romântica.
Há tantas outras que os enamorados sofrem todos os dias.
Carol sofria da indiferença daqueles que não entediam seu desejo de desaparecer. Um dia, uns meses, uns anos.
Devorava seus livros de contos e encantos, não pela beleza da escrita, mas pela feiúra da vida.
A tosse fazia-lhe doer o peito, como se lhe cravassem navalhas. Tentava fechar a boca, para impedir que seu coração não saísse por ai...caminhando pelo mundo. Sozinho. Mudo.


Chorava, não pela falta de amor. Amor ela possuía, só não sabia usa-lo quando transformava-se em farpas.
As lágrimas corriam-lhe pela face, por padecer no paraíso.
Por mais que crescesse sempre existiria alguma coisa não haveria de entender.


O pior eram as madrugadas insones quando seu corpo não conseguia descansar.
Dava às palavras: vida, amor, sonhos e gloria uma significação profunda.


Uma noite não resistiu... pediu a Deus o fim do tormento juntamente com o fim da vida, para que a mesma terminasse junto com a vontade de sorver o ultimo ar. Pereceria junto a esperança do esquecimento.
Como a ultima luz na varanda.


Deus não ouviu suas preces.
Ao contrario, mostrou por um instante breve, a face.
Acarrancou-lhe a dor (da alma, do pulmão, do coração) para que Carol tivesse um sono sem remédios.


Era tao difícil a falta de palavras para lidar com tudo isso.
Ela só sabia rogar.


- Meu Deus está tudo em suas PODEROSAS mãos...

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