domingo, 21 de março de 2010

Um dia desses I

O cansaço muitas vezes tras um tipo de êxtase que nem a mais poderosa droga é capaz de produzir; Ela sabia disso quase que por puro instinto.
sentada numa cadeira se perguntava porque os dias passam tão rapido.
O tempo que parece escorrer pelos dedos quando se tenta contê-lo.
Olhava pro relogio no canto do computador, pequeno, ligeiro...
Parecia zombar da sua vontade mansa de viver suas tardes lilases.
Deveria haver algo errado com a rotação da Terra era a unica explicação que encontrava ante a possibilidade de acontecer tudo tão depressa.
Essa velocidade toda a fazia perder alguma coisa pura e simples que ia ficando inevitavelmente pelo caminho, essa coisa indefinivel, não haveria como reencontrá-la uma vez perdida.
Seus olhos não conseguiam acompanhar as cenas que se sucediam na sua frente. O vai e vém de informações, rostos, cores e sensações.
Nesses dias em que nada parecia estar no lugar, Ela se sentia deslocada no tempo-espaço.
Seu corpo reclamava por não conseguir saber exatamente em que dimensão a mente queria divagar.
Era dificil se encontrar em meio aquela louca rotina.


As vezes parava de digitar o seu trabalho sobre a mesa e narrava mentalmente pra si, longas cronicas sobre aquela loucura toda que a fazia pirar e desejava com os olhos gulosos (como quando se deseja o brigadeiro que acabou de sair da panela)que aquela rotina de assistente acabasse logo...
E só restasse a sensação de dever cumprido. O corpo cansado. O coração estarrecido.
O namorado esperando na estação de trem de braços estendidos.


Amassada num vagão de trem buscava o ar fresco enlouquecida (tão raro naquela ambiente em que as pessoas se matam para caber uma a uma apertadinhas).
Não há escapatória para quem quer chegar do outro lado da cidade, a não ser fazer parte desse manicomio ensandecido. Sem raiva ou dor, somente o extase da esperança que lhe martela a mente dizendo: o dia acabou.


Mas haveria sempre aquela premonição de tudo já estava por re-começar.
Em um próximo minuto, em uma nova era.
Era inutil tentar escapar.

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