sexta-feira, 22 de junho de 2012

Só nos sobrou do amor...a falta que ficou!



"Diga o que fazer então, são memórias tão reais
Do que nunca aconteceu.
Desenhei miragens tolas nas margens do seu deserto
E uma verdade impossível,
Só pra ter você por perto..." (Skank)


Eu poderia te escrever todos os textos que minha mente já imaginou durante toda a nossa estória de amor, mas ainda acredito que nem isso tudo poderia chegar perto da imensidão dessa loucura toda, minha vida.
O silêncio rompe comigo a aurora de um novo dia, a solidão me faz companhia e as facas que transpassam meu coração me dão a medida exata da oportunidade desencontrada.


Desenho um castelo na parede do meu quarto e te coloco na torre mais alta. Em volta da construção pinto as fortalezas e uma floresta, porque toda estória de princesa precisa ter as dificuldades de um grande amor.
Mas nessa fábula, eu sou a princesa do imaginário que está pintada do lado de fora do castelo, montada em seu corcel (à duras penas domesticado), com o vestido rasgado dos espinhos que enfrentou, all star surrado nos pés dos lamaçais em que pisou, com o cabelo emaranhado dos ventos contrários que a trouxeram à sua porta e com o coração dilacerado das vezes em que nos perdemos.
Hoje é diferente, quando olho para a torre, te vejo embalando um bebê nos braços, sorris para a vida por causa das novas possibilidades de felicidade, antes nunca experimentada.
A nova princesa não disputa um lugar nessa estória, pois naquele cenário o encaixe é perfeito para os três.
Eu admiro a força e a coragem daquele instante.
Minha solidão me dói. 
Tua cena me fere com os mesmos golpes de pincel que aplico naquela parede em que desejo.
Um dia eu acreditei que aquele sonho fora feito por nós, que juntos estaríamos destinados a um futuro fecundo e feliz.
Observo mais um pouco como os raios de sol continuam saindo de vocês, como a aura se consolida à volta daqueles três, o amor em forma humana.
Depois da peregrinação, calos nos pés, o corcel exigindo um pasto para alimentar-se e dormir, o sol que castigou-me com seu brilho... uma pétala de flor tocou-me o rosto.
Peguei-a e com ela escrevi a mais doce das cartas e a joguei novamente no vento... me dou conta da delicadeza com que os fios da existência são tecidos pelas mãos do Criador.
Naquele pequeno pedaço escrevi o essencial nunca dito, o amor não experimentado e dos sonhos desfeitos em apenas duas frases:
- Você é o sultão do meu coração! Seja feliz!


Lágrimas rolam pelo seu rosto, pois percebe que aquilo vivido continuará presente nos caminhos de sua pele, nas rugas em seu rosto, no amor que sentiu.


Em uma nova cena a princesa puxa o arreio de seu cavalo para dar meia volta, arrisco que é, ele se empina e relincha, como se também dissesse adeus aquelas esperanças todas que a princesa foi buscar, mas obedece o desejo sem fim de partir. Também deseja abandonar-se a uma nova procura, um novo despertar.


O vento sopra novamente em outra direção ajudando-a a escolher um novo rumo, oposto aos sonhos perdidos, com ele a menina aprendeu a sentir, a tocar e a ser, agradece com lágrimas e sorrisos aos momentos vividos antes daquele desfecho.
Faz-se uma prece silenciosa para que aquela cena dure a eternidade!
Em seu coração não há espaço para o rancor, pois aquilo que foi efêmero guarda em si um pedaço desta mesma eternidade que ela desejou em prece aos amantes. 
E sabe que em seu íntimo, jamais poderá deter o curso das águas do destino.


Parte... forte como um cavalo jovem, sabendo que o amor enfim achou o seu lugar de ser.

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