Mesmo que tudo esteja fora de seu lugar, ainda consigo perceber sua presença insubstituível entre as paredes do meu quarto.
A percepção desta sensação me vêm aos poucos: um sms ainda não recebido, as folhas ainda espalhadas, a falta de inspiração entre meus dedos.
Penso nas vezes em que nos abandonamos nos braços um do outro e falávamos deste nosso amor de tantas e tantas rugas e tatuagens não possuir o seu lugar frente à sociedade.
Como se o sentimento precisasse de rótulos! Longe disso.
Diferente de todos os outros sentimentos, o amor é o único que não necessita de passado, tampouco de espaço para surgir.
Ele começou com uma ideia fixa de que de alguma forma nos completávamos.
Daquela visão de você descendo aquelas escadas, dos teus beijos cálidos e do teu cheiro de volúpia.
Teus braços e teus abraços, que me roubavam de mim toda vez que neles me encaixava.
Ao te perder de vista, perco uma parte invisível de mim, da qual não sei explicar a falta que fará.
Acho que chegaremos ao final desta estrada sem vários pedaços da alma.
Hoje mesmo eu dei falta de mais um: parte do meu pulmão foi contigo na última partida.
O ar está pesado, difícil, quase intragável. Tal qual o efeito do tabaco.
Ademais todas essas falhas que eu cometo na esperança da tua volta, sei que continuas comigo nos teus pensamentos.
Eu sinto quando pensas em mim!
Não sei te explicar como tal fato se dá, contudo é como se num ato premeditado, eu pudesse num passe de mágica, fechar os olhos e ver-te à minha frente.
Se estico as mãos, apalpo as tuas formas.
Nessa louca obsessão me debulho em lágrimas e sorrisos. Ironicamente eles compõe cada peça do quebra cabeça que fazem este sentimento ser o que é: viciante e insubstituível.
Olho pro relógio na esperança desta tua forma imaginária se materializar e dormir comigo esta noite.
Confiando cegamente no que somos, minha entrega se intensifica... é chegada a hora de dormir.
Sei que estará presente nos sonhos de hoje e nos de amanhã, como esteve em outros de outrora.
- Fica aqui essa noite, vem esquentar este lado da minha cama que anda vazio desde a tua partida, deita-te benzinho, quero tua cabeça no meu colo... fala-me deste teu corpo tão marcado quanto o meu.
...
- Me diz que sempre fomos um par?
sexta-feira, 29 de junho de 2012
domingo, 24 de junho de 2012
Colcha de retalhos I
"Porque todas as vezes em que ela pensa no tempo que se passou, repara nas rugas que este amor deixou pelos caminhos de sua pele ao longo de todos esses anos.
Contemplando seu reflexo no espelho, percebe que aquela menina de anos atrás permanece dentro dela com sua fúria e instintivade dominando-a ainda de forma intensa, pois mesmo sabendo que o simples ato de virar a ampulheta para o outro lado não faz o relógio girar ao contrário, ainda insiste em continuar conjugando o verbo amar no gerúndio.
Como se num dia dela de extrema obsessão por ti, o tempo em suas várias faces não tivesse a mínima importância.
O valor estava concentrado no momento em que ele se aconchegava em seus braços no reencontro pós-despedida, onde o verbo amar, permanecie ferozmente dentro dos amantes...
Amando..."
(Tássia Karl)
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Só nos sobrou do amor...a falta que ficou!
"Diga o que fazer então, são memórias tão reais
Do que nunca aconteceu.
Desenhei miragens tolas nas margens do seu deserto
E uma verdade impossível,
Só pra ter você por perto..." (Skank)
Eu poderia te escrever todos os textos que minha mente já imaginou durante toda a nossa estória de amor, mas ainda acredito que nem isso tudo poderia chegar perto da imensidão dessa loucura toda, minha vida.
O silêncio rompe comigo a aurora de um novo dia, a solidão me faz companhia e as facas que transpassam meu coração me dão a medida exata da oportunidade desencontrada.
Desenho um castelo na parede do meu quarto e te coloco na torre mais alta. Em volta da construção pinto as fortalezas e uma floresta, porque toda estória de princesa precisa ter as dificuldades de um grande amor.
Mas nessa fábula, eu sou a princesa do imaginário que está pintada do lado de fora do castelo, montada em seu corcel (à duras penas domesticado), com o vestido rasgado dos espinhos que enfrentou, all star surrado nos pés dos lamaçais em que pisou, com o cabelo emaranhado dos ventos contrários que a trouxeram à sua porta e com o coração dilacerado das vezes em que nos perdemos.
Hoje é diferente, quando olho para a torre, te vejo embalando um bebê nos braços, sorris para a vida por causa das novas possibilidades de felicidade, antes nunca experimentada.
A nova princesa não disputa um lugar nessa estória, pois naquele cenário o encaixe é perfeito para os três.
Eu admiro a força e a coragem daquele instante.
Minha solidão me dói.
Tua cena me fere com os mesmos golpes de pincel que aplico naquela parede em que desejo.
Um dia eu acreditei que aquele sonho fora feito por nós, que juntos estaríamos destinados a um futuro fecundo e feliz.
Observo mais um pouco como os raios de sol continuam saindo de vocês, como a aura se consolida à volta daqueles três, o amor em forma humana.
Depois da peregrinação, calos nos pés, o corcel exigindo um pasto para alimentar-se e dormir, o sol que castigou-me com seu brilho... uma pétala de flor tocou-me o rosto.
Peguei-a e com ela escrevi a mais doce das cartas e a joguei novamente no vento... me dou conta da delicadeza com que os fios da existência são tecidos pelas mãos do Criador.
Naquele pequeno pedaço escrevi o essencial nunca dito, o amor não experimentado e dos sonhos desfeitos em apenas duas frases:
- Você é o sultão do meu coração! Seja feliz!
Lágrimas rolam pelo seu rosto, pois percebe que aquilo vivido continuará presente nos caminhos de sua pele, nas rugas em seu rosto, no amor que sentiu.
Em uma nova cena a princesa puxa o arreio de seu cavalo para dar meia volta, arrisco que é, ele se empina e relincha, como se também dissesse adeus aquelas esperanças todas que a princesa foi buscar, mas obedece o desejo sem fim de partir. Também deseja abandonar-se a uma nova procura, um novo despertar.
O vento sopra novamente em outra direção ajudando-a a escolher um novo rumo, oposto aos sonhos perdidos, com ele a menina aprendeu a sentir, a tocar e a ser, agradece com lágrimas e sorrisos aos momentos vividos antes daquele desfecho.
Faz-se uma prece silenciosa para que aquela cena dure a eternidade!
Em seu coração não há espaço para o rancor, pois aquilo que foi efêmero guarda em si um pedaço desta mesma eternidade que ela desejou em prece aos amantes.
E sabe que em seu íntimo, jamais poderá deter o curso das águas do destino.
Parte... forte como um cavalo jovem, sabendo que o amor enfim achou o seu lugar de ser.
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