domingo, 11 de setembro de 2011

Das minhas saudades

"Eu sei que esses detalhes vão sumir na longa estrada do tempo que transforma
todo amor em quase nada. Mas "quase" também é mais um detalhe um grande amor não vai morrer assim por isso de vez em quando você vai vai lembrar de mim..." (Roberto Carlos)


Elas eram duas amigas que se encontravam depois de anos sem contato, como duas metades de um mesmo pólo que não perdem a conexão entre si, sabiam por excelencia como se sentiam por dentro.
A loira parecia entender o efeito que sua presença causava em minha vida, era como desejar mergulhar fundo na cachoeira para buscar uma pedra que se deseja muito, mas simplesmente não poder porque não aguentaria a pressão da correnteza.
Eu queria a presença de Karine mais do que tudo, porém ter minha melhor amiga de anos ao meu lado era como reviver longas estórias de um grande amor que há muitos partiu para outro plano, longe do alcançe das mãos.
O verde dos olhos daquela mulher era uma droga viciante para meu coração. Ele insistia em sorver aquele brilho numa ânsia louca de se encontrar com suas próprias lembranças.
Despretenciosamente começo a perguntar sobre questões de sua própria existencia - não que isso não me interesse, mas é preciso começar um diálogo pela porta mais fácil - ela me conta sobre as irmãs, o irmão caçula que lhe restou, sobre a mãe que ainda odeia cozinhar de dia, os filhos pirracentos e encantadores, o novo namorado...
Sutilmente meu coração reclama por saber sobre o que realmente lhe interessa: a familia dela que um dia também foi minha, mas que hoje não mais vejo. E longos diálogos recomeçam. Calma coração, eu vou perguntar por ele!


Karine me fala sobre a Outra que também o amou, contudo trancou o coração a sete chaves depois que ele partiu. Dizem que nos dias que se seguiram depois da perda de nosso grande amor ela se tornou prostituta. Não que vá deixar de existir com a morte dele, essa mulher somente não se permitirá pertencer a outra pessoa. Não a condeno por isso.


Meu coração chora lágrimas de sangue nessas entrelinhas.


Na conversa que se segue, Kaka continua me contando sobre como vão todos: as festas, as tristezas, os casamentos...tudo parece seguir a lógica da volta por cima: é preciso continuar, seguir em frente.
Me senti uma traidora.
Traía não somente minha amiga à frente escondendo dela todas as minhas intenções esmagadoras, também me abandonava, me mentia, me condenava a saudade, retornava ao estado primitivo. Frente a ela me sentia a garota antiga, que amava dedicar poesias.


Me perdoa meu amor, eu tive de seguir adiante.
Sou covarde demais pra me matar ou pensar em aniquilar sua presença da minha vida.
Continuo a morrer de amor todos os dias com a sua partida.
Olhando para a janela do seu apartamento.
Pra sua foto escondida nas cartas que escrevo pra você no chão do meu quarto.
Pensando nos diálogos que tenho contigo quando voltamos juntos pra minha nova casa.
Sentindo tua respiração na minha nuca.
Nas nossas mãos dadas na praça.
No seu olhar meigo oculto pela tua couraça.
E te amando.


Eu tive de seguir em frente, meu amor.
Sem ti sou como uma folha solta ao vento longe daquela árvore frutífera que um dia foi o meu lugar.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

As cartas que eu não mando I

"Te escrevo essa canção
Porque nem sempre ando perto
E essa canção me ajuda a atravessar um deserto..." (Leoni)


O frio está cruel aqui na nossa cidade!
Sinceramente, essa é uma péssima desculpa pra começar uma carta. Mas já que estamos andando por essas pernas, vou seguir nessa linha de pensamento...
Imagino que se aqui está assim, ai em São Paulo deve estar muito pior, no meio do mato então! Nem quero imaginar muito, pois chega a doer meus dedos.
Logo esse treinamento acaba e tu vais ser mandado pra algum lugar neste imenso país que jamais imaginou estar.
Será uma ótima oportunidade pra começar uma vida nova.
Sem me odiar pela frase,ok?
Mas é o que eu realmente desejo pra nós dois.
Afinal, quando finalmente a mágoa te abandonar, vão sobrar poucas lembranças da gente, porque no fim das contas vai ser assim mesmo...o tempo passa pra todo mundo sem piedade e nos rouba um bocado de coisas.
Eu reconheço que o que me mata realmente é saber que faço você sofrer, as memórias que se consolidam em sentimentos acabam desturpando a minha imagem nos seus sonhos.
"Não sei o que deu na minha cabeça quando decidi evaporar".
Quando fielmente seu coração se recompor,vais pensar no quanto foi idiota por acreditar que o destino era escrito sem a comunhão das palavras, em como se deixou levar pelo sentimento de amar alguém que mal conhecia, por apreciar meus gostos tão parecidos com os seus e principalmente por pensar que eu era seu paraíso.
E me odiar de novo, mas uma hora o pensamento desconversa sobre isso, aí seu dia muda de tom.
Vais sentar num bar com seus amigos, contar piadas sobre casamento, defender seu time de futebol, falar mal do preço absurdo do Rock In Rio e do UFC, fazer criticas ao Bolsonaro pelas atitudes dele e tantas outras futilidades.
Quando acabar vai pagar sua parte na conta pegar o carro e partir na madrugada, nesse meio tempo talvez haja tempo pra lembrar das nossas voltas pra casa e em como seria se eu estivesse no banco do carona rindo daquilo tudo contigo.
Talvez quando estiver vendo um filme no seu quarto agarradinho com seu novo amor, voce vai olhar e por um momento pensar que sou eu que estou ali olhando p'aquela tela e cravando a unha no teu braço.
No mais, nossa musica vai continuar tocando no rádio e mesmo com raiva lembrará da minha paixão por boa melodia.
Sabe de uma coisa?
Eu vou estar impregnada nas pequenas coisas que fazem parte da sua vida pra que você esqueça definitivamente de me esquecer.
A diferença, meu amor, é que agora tu vais seguir em frente.
Continuar rindo das piadas dos seus amigos, debochando do time alheio, abraçando sua namorada e desejando que seja ela pra sempre, viajando, trabalhando, aproveitando a vida da maneira que melhor lhe convier.


Eu também farei isso.
Nós continuaremos quase os mesmos.


Fico grata por um dia você ter estado aqui. Obrigada por ler meus desvaneios mais uma vez. Durma bem, amanhã é longo dia.


Muitos beijos.
Amor e saudades!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

"Amiúde"


"Nada ficou no lugar
Eu quero entregar suas mentiras
Eu vou invadir sua aula
Queria falar sua língua..." (Adriana Calcanhoto)


Sentada num canto do quarto ela começara a questionar sobre sua propria vida.
Era estranho ser tantas pessoas num só corpo, não poder apenas abrir os braços e se expandir...se deixar aumentar ate realmente poder estourar.
Abra os braços Carolina! E se conforme de uma vez que ele não vai mais voltar.
Ele irá pegar aquele avião, sobrevoar as nuvens e esquecer-se de você.
Ou pelo menos fingira que te esqueceu a sensação de ser outro quando esta perto de ti.
O tempo pesa para todos, não há meio termo.
Aliás, essa fração infima da eternidade nunca foi o bastante pra que a lembrança perdesse a cor e o sabor.
As sensações foram substituidas.
Trocou-se o amor pela dor, que por si deu lugar a falta, que evoluiu mais um pouco e se transformou em magoa.
Se ele te encontrasse agora na rua estaria com no mínimo 5 pedras na mão. Das grandes.
E um vocabulario de lhe cortar a alma à fundo.~
Parou de acreditar em suas palavras, esqueceu a menina que conheceu há alguns anos atras, te odeia pelas tuas faltas, pelo teu corpo marcado por aquela tatuagem que ele nunca quis entender, pelas tuas idas e vindas que sempre magoaram mais a você do que a ele. Acho ainda Carolina que o ódio dele é pela opurtunidade não perdida, mas desencontrada.
Agora ele vai embora. Se conforma que dessa vez é pra valer.
Vai com Alice (quase Amélia), que escreve cartas bem melhores que as suas.
E tem atitudes mais corajosas também.


Para de chorar e resume em si a doçura que lhe falta.
Não ha tempo pra lamentar.

sábado, 30 de abril de 2011

Das tentativas de dizer o indizível

Desta vez ela resolvera arranhar suas paredes
tamanha falta que sentia de suas costas cruas,
de sua derme...
e de todas aquelas coisas invisiveis que a atraem para ti.
Mais do que uma falta, quase uma necessidade.
De ser jogada aos céus sem nenhum trampolim pra aparar a queda.
Nada. Nunca mais do que quase nada.
Ouvia o barulho feito pelas unhas na parede,
como quando um giz que arranha o quadro negro numa aula chata,
Parece que aguçava seus proprios sentidos, por isso arranhava mais forte,
Como se tentasse naquele gesto gravar desenhos nas suas costas.
Meu quadro.
A boca enche d'água ao pensar naquelas noites geladas
onde contavamos as estrelas e cada linha da pele.
O frio que percorre a espinha quando estamos sob o sereno,
aquela sensação lasciva que nos obriga a usar o corpo para tranferir calor.
Continuo o ritual...
Deixo que a vontade de te possuir seja gasta nesse processo que me recorda de ti.
Me deixo, me entrego, te possuo.
Nessas lembranças loucas com que perturbo.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Há sempre outras despedidas...

"De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro". 
(Fernando Sabino)


Eu lhe disse que esse dia chegaria, mas você como sempre não quis me ouvir.
Seu caminho estava muitos passos à frente do meu. Ora paralelos, ora contrários; nosso ritmo sempre foi uma lambada tão confusa e quente.
As impressões ficaram em nós dois, ultrapassando as barreiras do tempo. Eternizaram-se.
Hoje existem novos olhares, outros sonhos e muitas outras coisas que nos ocupam.
A pele aprendeu a arrepiar-se ao sabor de outro suspiro, de outra carne, novos sorrisos.
Isso prova que não estamos impedidos de viver outros grandes amores.
"Amores são sempre os mesmos, as andorinhas é que mudam com o passar da estações".
Outros somos, a cada hora mudamos, nosssas coordenadas apontam para direções opostas.
O meu nordeste pede auxílio... não a sua recusa em aceitar que o presente nos foge a todo instante.
Quando esticamos a mão para pegá-lo, lá se vai a rir de nós.
Não nos permite o bom humor a cada despedida.
Também, vamos combinar... reles mortais somos.
A escrita ja estava lá, nem sempre podemos mudar.
As pessoas existem para serem amadas. Vale a nós decidir o quanto vale sofrer por amor a cada uma delas. Será que o sentimento é imenso?
Nesse momento me questiono sobre pertencer a esse sentimentos, às lembranças, a memória da pele. Bom recordar aquilo que nós recusamos esquecer.
O tempo fica travado.
Tudo...absolutamente tudo foi exposto ao sol. E queimou nossas feridas.
Criou em mim uma linha tenue como o Equador. Me fez em duas.
Hoje existem novos olhares, outros sonhos e é outra a borboleta pousa no peitoril do seu coração.

terça-feira, 22 de março de 2011

Para uma menina como uma flor

Ando por todo são gonça pra chegar em casa em minha longa jornada, vejo uma rua que dá pro meu tudo e dá aparentemente para o nada
Então eu deixo essa incógnita de lado e sigo meu caminho sem esquecer meu presente e seu passado
Oh menina onde tu estás? Será mesmo escondida num pote guardado na gruta?
Só sei que ela é tão preciosa que lapidada é o diamante feito da pedra bruta, os seus olhos formam um sorriso, um olhar incessante.
Seu jeito me alegra, vale mais do que brilhante; tão pedras e dinheiro não têm valor, se esse ouro que tu guardas some sem deixar calor. Tanta preciosidade guardas, tanto carinho tens, porque tu somes, porque te conténs?
Vem direto pros meus braços, vem matar tua saudade, vem provar dos meus lábios, dum homem de verdade. Aqui estou a tua espera, saltando montes a navegar, pois movo cumes e montanhas, até te encontrar
Se não acho, não desisto, sento um pouco e espero, descanso o tempo necessário, e volto a procurar o verdadeiro amor sincero. Cadê você onde tu andas? Cai num poço sem fim, só encontro chão na solidão, minha salvação é vc pra mim!
Anda... anda que distante, olha... olha sem achar, não dá mais pra viver assim, mas não dá pra lhe deixar...
Você completa o coração! Você completa meu sapato, pois só uma bela princesa como tu, pra deixar meu caminho cristalizado!
Como indecisa que se mostra, hora somes hora aparece, acha que esse amor dura, sem um toque que se preze, eu preciso de vc, cada dia muito mais, seja um ou seja um monte, o tempo o amor faz... Paixão ilude nossos olhos, amor corta o coração, deve aprender a me ver, com herói ou um vilão, tenha medo ou rancor, tenha ódio ou temor, seja fria ou com calor, quero vc com todo meu amor.
Desenho é pouco pro seu rosto, molde nenhum se compara não se repete obra assim, pois só existe uma jóia rara... vc
Daqui a pouco o tempo muda, os seus entram em escuridão, qualquer dia vamos embora, e voltamos para o chão, somos feitos de terra e barro, somos feitos de amor, só ele poderia ter feito vc, tu és obra do criador.
Cada filho aqui na terra é uma fruta com sabor, quando a sua fruta caiu em minhas mãos, o vento estava em meu favor, pois só o dia tenho pra te ver, e só a noite pra te beijar, só a tarde pra ver como o sol brilha em seu olhar...
Ele cai e reflete em ti, queima a pele e os segredos, que me esconde de brilho, que me deixa com mais medo, sei que é meu lugar ao sol, ou é sombra pra esperar, não sei mais o que penso, pois vejo vc no sol raiar...
De manhã é só silencio, a tarde é correria, na faculdade não te encontro, tornando minha tarde fria quando espero na sala, não fico quieto na cadeira, quando passo no corredor, te encontro de bobeira.
Bobeira nada menina ocupada, se marcasse não te encontrava. Só assim pra eu te ver, o destino nos esbarra. Fazer o que se é atração? Modéstia minha eu sou assim, dou um gelo no destino, e trago vc pra mim.
Pode ser coincidência, cada um é que sabe, mas que gosta de alguém, quando vive um romance sabe... pode parar de ler agora, pare já querida leitora, minha visão de ti é de vilã arrasadora, pois corta meus pulsos em variadas cenas, e me morde até nas costas, vou morrendo de amor das suas plantas venenosas
Você é má e é cruel, some dias e volta tarde, me encontra por ai, e depois diz que tá com saudade, isso tudo é cilada, saudade nada é besteira, sei que nem gosta de mim, leva tudo na brincadeira
Eu sou só um brinquedinho, sobra tempo vc brinca, mas eu estou fraco de tanto ver o quanto minha dona é tão linda!
Ela me pisa e me joga, da cama pro armário, vê teve só com pipoca, e me leva do seu lado, puxa meu cabelo todo, arranca fio embaraçado, fica dando beijinho, e eu fico... "Feliz"


<|¬¬ ????? ^^|> diz:
depois eu queria que alguém me explicasse como eu consigo escrever tanta coisa
em tão pouco tempo, só olhando sua foto

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Joaninha da Adelaide


Eu nunca fui capaz de escrever poesias como Lara fazia.
Ela que de sonho e luxuria traduzia seus pensamentos em palavras,uma fábula tornava a vida. Sua vida.


Nunca a soube definir em apenas uma palavra: ela era tantas que não cabia no pequeno espaço que se corpo permitia.
Sempre soube era poetisa ou o que lhe era mais apropriado... uma atriz, sempre que a aplaudia eu pedia bis.
Cada palavra que te escapa, não passa de mais um componente de seus versos mudos, que explodem de sua mente a mil e traduzem-se pelas mãos com a habilidade de um mudo.
E preenchem de cor as nossas vidas.


Falemos dela o que for: impulsiva, poetisa, amante da vida (ela é quase tudo que se diz).
Contudo, nunca desmereçam seus poemas.
São de uma pureza única, longe de serem pueris, Larrissa está muito além do que se diz, expressam por si a doçura que agrada e a acidez que rasga.


É uma mulher e tanto esta que eu vejo crescer, que convive com a dor da culpa do que não poderá viver...e sorri mesmo nos dias mais nublados.


Aquela geógrafa venenosa, defende sua historia com veemência, afirma de boca cheia e coração na boca:
- A vida não vale a pena se você não tiver uma boa estoria pra contar.


E as dela (boas, ruins, exóticas...) fazem parte daquilo que a torna inesquecivel..... irresistível.


Sua boca volumosa e seus olhos castanhos de doce de leite escuro, colorem o mundo... conquista seu espaço no universo dia a dia: pisando firme com a sola do pé...


E os versos mudos (que compõe para celebrar a vida que somente ela a joaninha da fé tem coragem de viver) escapam-lhe do pensamento mesmo quando ela tenta guardá-los para si.


Vive como se o mundo fosse acabar no próximo pôr do sol...Longe de uma vida sem medos, pelo contrario, ela é cheia de receios, mas tem a coragem que me falta:
Fala de amor e sexo com os olhos, os corpo, a alma ... romantizando e erotizando uma vida inteira sonhada.


Outro dia numa aula de analise ambiental:
- Tássia me dá uma caneta... e lá se colocava a rabiscar qualquer coisa assim que só a ela fazia sentido completo.


Acabara de compor mais uma poesia, fui a primeira a ter o privilégio de ler.
Desde então a presença ou não de Larissa (como ela odeia ser chamada), não me faz tanta falta... ela encontra-se eternizada, entronizada e endeuzada...em cada verso que dela escapa.