sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Sobre os vícios da paixão

  Te sinto em ambientes que me são tão cotianos quando simples.
  Quando chego em casa e as luzes não ascendem percebo-te fazendo parte desta conspiração para me deixar mais instigada a perceber as nuances do teu corpo no escuro.

  Apalpo tuas formas imaginárias e convido-te para deitares comigo na rede que nos espera sob a lua que brilha na janela e inunda a casa com a luz prateada que nos basta.
  Fale-me deste teu coração desiludido para que eu não cause, tampouco alimente teus poços de solidão.
  
  Meu amor por ti anda me enlouquecendo... percebo isto há algum tempo.

  Hoje a tarde eu te vi da varanda da minha casa, tu eras um homem simples vestido à moda dos cavalheiros do século XIX, com trajes marfins e chapéu preto, trazias uma flor na mão e um sorriso espontâneo no rosto.
  Imaginei que seria teu coração aquela flor que me ofertavas com as mãos trêmulas. Aceitei com as minhas desajeitadas, tentando conter a ansiedade que me tomava, não consegui. Arranquei-as, bem dizer, de ti e a coloquei num vaso com água e açúcar... era tão lindo te ter aqui.

  Mas a novela das 18h voltou e me despertou daquela visão que eu criei sobre nossa entrega, me acordou da realidade inventada feita pra te trazer de volta pra casa, pro nosso ninho, pro nosso amor...que anda vazio de acalento desde a tua partida.

  A lua continua sua ascensão no céu e sou obrigada a contar o espaços vazios entre as estrelas na esperança de achar caminhos onde tua vinda possa ser facilitada pelos atalhos que eles formam.
  Essa ausência que se instala entre essas paredes, só será saciada com a tua risada inundando a minha casa com o frescor dos sonhos que resistem a falta de estímulos diários e ao teu impossível orgulho de assumires quem és.

  Deletados os teus personagens inventados e incorporados ao teu dia a dia, entre meus lençóis conheci o que de ti havia de mais puro juntamente com aquele olhar de cãozinho abandonado esperando ser achado, adotado e amado.

  E como meu desejo te quis, desde aquele pequeno momento que te percebi próximo de mim.
  Agarrando-me a chance de te ter aqui, transcendi as barreiras dos pensamentos negativos...tomei coragem de pisar pé ante pé na tua direção: sorriso nos lábios, estrelas nos olhos, coração na boca.

  Fala-me de novo das tuas músicas preferidas, fala!
  Ficas tão lindo descrevendo a discografia do Los Hermanos.
  Dizes novamente sobre teu sentimentalismo que me encanta, que aquele álbum do Cine Íris é o melhor de todos os tempos, que eras fã antes disso tudo virar modinha e que o "Último Romance" é a música dos apaixonados.
  
  "Sentimental" só faz sentido quando se é "Um par".

  Me manda novamente essa canção que te deixa apaixonado num bate papo de alguma rede social, me pede pra ouvir, me toma pelo braço e me impede de fugir de nós.
Sei que seu desejo se liberta quando abrimos a janela para a primavera entrar.


  A chuva é apenas mais uma desculpa pra beber mais um copo e descobrir coisas afins.

  Sorri novamente ao lembrar que eu torço pro mesmo time que você, seu bobo!
  Quem mais tem uma estrela no peito e no céu como guia? Mentira!?

  Não me deixa mais chegar no quarto andar sem um beijo, mais dormir sem sentir dor nas costas, reclamar dos mosquitos, sem uma garrafa d'água... sinto tanta sede dos teus beijos na madrugada.

  Vem correndo logo, orgulho não faz bem pro coração, não!



"Vamos viver nossos sonhos temos tão pouco tempo." (CBJr)





Um comentário:

Mariana Motta disse...

Sabia que esse texto foi um tapa na minha cara? Quando se ama, não pode deixar o orgulho ser maior que amor.
Um beijo e parabéns.