domingo, 12 de fevereiro de 2012

Das outras cartas que não mandei


- Não! Não se pode voltar no tempo Fabrício! É querer o impossível! Entenda isso de uma vez.
- Mas como não tentar te ter de novo Carolina? Eu não sei parar de desejar um futuro, uma chance ou ao menos uma possibilidade pra nós dois.
- O nosso tempo já passou. Só você parece que não vê!
- As escolhas que fiz foram para tentar te esquecer garota. "Diga-me uma frase, apenas uma frase, Carolina"
- Qual?
- "Aquelas que ascendiam estrelas!"
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Querido Fabrício,
Mais uma vez vou dizer-te que já vou. Já é tarde, quase madrugada para pra nós dois.
Vou embora daqui a pouco da sua vida outra vez.
E não venha me dizer que está tudo bem, que tanto faz, que a única coisa que queres sou eu.
Tu vens para braços que sempre te dão a esperança de um talvez.
E parece que nem ligas que amanhã a tua certeza se bastará a essa simples palavra: talvez.
Mais uma vez se achegarás, se aninhará nos meus braços (que não são tão fortes como os teus) e te contarei um pouco de como andei sem você aqui.
Por hora, prometo que estarei lá para lancar-te rumo ao céu e não perceberá o abismo que se forma nesse ato.
Sim, eu estarei lá, quando precisares do pouco de afeto que só minhas mãos te trazem.
Tu irás acreditar no teu sonho de nós dois, nesse veneno que te embrigada e que parece te fazer tão bem.
Responderá sim de pronto ao meu chamado, quando este te convidar pra fugir comigo uma outra vez.
Sem perceber que amanhã a tua certeza continuará sendo o mesmo talvez de outrora.
Darei a ti o veneno das minhas palavras em forma de versos, reversos e poemas para que te sorvam mais, envaideçam a tua virilidade, te façam sonhar com a dualidade de viver uma vida plena ao meu lado.
Dentro deste campo minado prestes a explodir.
Ah, meu irresistível!
É tão tentador esquecer que o tempo não existe estando contigo.
Mas vá, não precisas pensar em mim todo o tempo, tampouco acorrentar-te aos meus desejos como tanto gostas. Tens asas capazes de construir ninhos aonde quer que fores.
Eu serei um pouco tua, muito minha e talvez sempre nossa.
Gosto que seja assim enquanto tu queres sempre mais do mesmo.
Desta vez, poupe teu já sofrido coração para que eu não o despedace junto com as tuas esperanças todas.
Ainda te desejo!
Penso que nesse universo de possibilidades escolher o deserto para fincar tuas raizes será por demais errado, ao permitir que a solidão seja o único fim para ti quando gritar por meu nome à beira do abismo quando há muito eu já tiver pulado em busca de uma nova vida.
E tu guardarás sempre em tua memória a lembrança do meu rosto e deste meu olhar inseguro.
Não quero dar-te abraços partidos.
Assim como tu: quando estou contigo sou tua por inteiro, até o abrir das cortinas ao fim do ensaio de mais uma peça da vida.
Morro de saudades a cada despedida.
Ass: Carolina.


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- No teu bilhete:
" Me deixe novamente encantado pela voz que ficou comigo nas madrugadas insônes que passei pensando em como seria olhar-te nos olhos deitada ao meu lado na cama, fitando os teus sorrisos pra mim, me encantando no tom carinhoso da tua voz ecoando em meus ouvidos, acarinhando os meus pensamentos.
Eu sei dos riscos que corro quando estou contido, me deixe somente mais uma vez ficar...eu quero, eu vou conseguir te convencer a ficar Anjo, quem sabe não será nessa?
Meu coração não consegue desistir.
Aliás, sofrer em teus braços será o meu prazer e viver em mil pedaços quebrados aos teus pés seria tudo pra mim...
Te amei. Te amo."
Ass: Fabrício

Um comentário:

Bruno disse...

Eu serei um pouco tua, muito minha e talvez sempre nossa.

Adorei o texto, e me vi muito nele.
Só fiquei meio perdido no inicio.

Mas muito bem escrito !