sábado, 30 de abril de 2011

Das tentativas de dizer o indizível

Desta vez ela resolvera arranhar suas paredes
tamanha falta que sentia de suas costas cruas,
de sua derme...
e de todas aquelas coisas invisiveis que a atraem para ti.
Mais do que uma falta, quase uma necessidade.
De ser jogada aos céus sem nenhum trampolim pra aparar a queda.
Nada. Nunca mais do que quase nada.
Ouvia o barulho feito pelas unhas na parede,
como quando um giz que arranha o quadro negro numa aula chata,
Parece que aguçava seus proprios sentidos, por isso arranhava mais forte,
Como se tentasse naquele gesto gravar desenhos nas suas costas.
Meu quadro.
A boca enche d'água ao pensar naquelas noites geladas
onde contavamos as estrelas e cada linha da pele.
O frio que percorre a espinha quando estamos sob o sereno,
aquela sensação lasciva que nos obriga a usar o corpo para tranferir calor.
Continuo o ritual...
Deixo que a vontade de te possuir seja gasta nesse processo que me recorda de ti.
Me deixo, me entrego, te possuo.
Nessas lembranças loucas com que perturbo.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Há sempre outras despedidas...

"De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro". 
(Fernando Sabino)


Eu lhe disse que esse dia chegaria, mas você como sempre não quis me ouvir.
Seu caminho estava muitos passos à frente do meu. Ora paralelos, ora contrários; nosso ritmo sempre foi uma lambada tão confusa e quente.
As impressões ficaram em nós dois, ultrapassando as barreiras do tempo. Eternizaram-se.
Hoje existem novos olhares, outros sonhos e muitas outras coisas que nos ocupam.
A pele aprendeu a arrepiar-se ao sabor de outro suspiro, de outra carne, novos sorrisos.
Isso prova que não estamos impedidos de viver outros grandes amores.
"Amores são sempre os mesmos, as andorinhas é que mudam com o passar da estações".
Outros somos, a cada hora mudamos, nosssas coordenadas apontam para direções opostas.
O meu nordeste pede auxílio... não a sua recusa em aceitar que o presente nos foge a todo instante.
Quando esticamos a mão para pegá-lo, lá se vai a rir de nós.
Não nos permite o bom humor a cada despedida.
Também, vamos combinar... reles mortais somos.
A escrita ja estava lá, nem sempre podemos mudar.
As pessoas existem para serem amadas. Vale a nós decidir o quanto vale sofrer por amor a cada uma delas. Será que o sentimento é imenso?
Nesse momento me questiono sobre pertencer a esse sentimentos, às lembranças, a memória da pele. Bom recordar aquilo que nós recusamos esquecer.
O tempo fica travado.
Tudo...absolutamente tudo foi exposto ao sol. E queimou nossas feridas.
Criou em mim uma linha tenue como o Equador. Me fez em duas.
Hoje existem novos olhares, outros sonhos e é outra a borboleta pousa no peitoril do seu coração.