Ele tinha o sorriso mais bonito do mundo.
Anos depois quando me recordasse do seu nome seria essa a caracteristica mais marcante naquele ser. Feito de sonho e solidão.
Quando desci aquelas escadas toda pintada o avistei do outro lado da rua, era notavel a minha queda evidente por ele. Por aquele sorriso.
Nossos olhares por fim se cruzaram e o magnetismo que a atmosfera exercia sobre meu eu, também parecia o prender a mim.
A menina que estava ao seu lado, de súbito foi ignorada. Não entendeu o porque da negação inusitada.
Ele me olhava!
Olhava e sorria.
Seu sorriso tinha gosto de: FE-licidade.
Era embriagante estar ao lado dele em meio ao caos pós trote.
Ele um veterano, Ela apenas caloura.
Tão novata quanto ele nas disciplinas do amor.
O cheiro dele de tão suave chegava a ser nostalgico, sua pele que de tão branca quase brilhava; no escuro do bar ele parecia se destacar.
Um em um milhão.
E quanta solidão continha aquele coração?
Não aquela de estar sem namorada. A sua falta era diferente.
Tinha falta de estar dentro, de conexão consigo mesmo, era desprovido de tempo e de espaço. Não se encontrava no contexto exato.
Conhecia a geografia das montanhas, dos mares, dos céus. Mas desconhecia-se.
Era forte, mas sentia-se frágil.
Ao contrario dos homens comuns não nasceu pra ficar sozinho.
Negava-se a amores vãos, seu coração ficava guardado dentro do peito, numa redoma de cristal...até aquele momento somente uma donna o havia possuido e o quebrara com descaso.
A outra que me assombrava naquela atmosfera toda.
Conversavamos ignorando os outros,descobrimos afinidades e dispariedades, sentiamos falta do que não vivemos e uma saudade absurda do que não poderiamos viver.
A confiança que exigia de mim o fazia abrir-se pouco a pouco naquela conversa de bar.
Julgava-se invisivel, esquecendo-se completamente que eu o estava enxergando tão bem, a ponto de sentir sua alma.
Adivinhava as palavras mesmo que essas não lhe saissem pela boca.
Seu olhar revelava um pedaço do seu coração partido.
Mesmo com tanta confusão a nossa volta...eramos um do outro naquele breve instante.
Depois desse dia nos perdemos.
Ele me procurando e não encontrando, eu o desejando sem que ele soubesse.
Pareciamos estar caminhando na contramão do amor.
Meses mais tarde ao telefone, combinamos ao admitir: A gente ria tanto desses nossos desencontros.
Não poderiamos apressar o cosmos, o reencontro aconteceria quando estivessemos prontos.
Tantas palavras trocadas, tantos planos. A urgencia do encontro tão esperado.
Nesse dia o céu pareceu concordar. O cenario estava armado:
- Oi!! - braços abertos...e o sorriso mais lindo do mundo na face rubra e febril.
Seguido dos beijos tão desejamos.
- Tchau pedaço de Fe-licidade.
Nos perdemos a partir dai.
Mas haveria para sempre a lembrança do sorriso que fazia os meus dias terem cor e sabor.
Do rapaz que aos poucos me ensinou um pouco de tudo o que eu precisava saber: a sonhar, a arte de esperar, a curiosidade necessaria para aprofundar-me nos mares desconhecidos.
A descobrir além da topografia do corpo.
A Sentir-me no limite da emoção.
A ponto de desejar apenas morrer de amor. (Seria possivel?)
Uma noite me lembrei de suas palavras ao telefone:
- Eu quero ter você a vida inteira. Longe ou perto. Dentro.
Sorri.
Um comentário:
belíssimo como sempre!è sempre mto agradável vir aqui!
"Não poderiamos apressar o cosmos, o reencontro aconteceria quando estivessemos prontos."
Tenho meio que vivido isso ultimamente!
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