"E hoje estou aqui só pra te cobrar o que você disse que iria ser pra sempre.
Mas não foi assim.
Agora o que me resta, escrever nessa carta pra lembrar..." (Nx zero)
Hoje faz exatamente dois anos e 18 dias desde que você seguiu o inevitável caminho da eternidade.
Você tinha apenas 20 anos, isso quer dizer que sempre esteve um passo na minha frente.
Eu nunca consegui prever seus pensamentos, suas atitudes ou decisões, comecei a aceitá-las a aceitar seu jeito arogante de encarar a vida um pouco tarde demais.
Esperava você na janela, na escola, na ruela...
Ainda me recordo com grandes saudades do nosso ninho... do verde dos teus olhos no escuro... do teu sorriso sarcástico no fim de tudo.
Posso jurar que quando se viu naquele caminho sem volta a que estava destinado ainda pensou em mim... e na vida que por alguma ironia não vivemos.
No meu ultimo sonho contigo (na noite da sua partida) tu me davas um abraço e dizia que era hora de partir...
- E quando voltaria? perguntei.
- Jamais haveria de ser capaz de te deixar sozinha!
No dia seguinte eu estava pronta pra te visitar no hospital quando o telefone tocou com a noticia mais tragica que meu coração um dia suportou.
- Seu beija-flor se foi.
Só Deus sabe que forças me mantiveram de pé ante aquela tragédia toda.
Recordo-me de um dos capitulos de Don Casmurro descrevendo a reação de Capitu no momento da encomendação e da partida:
"Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria arrancá-la dali. A confusão era geral. No Meio dela, Capitu olhou alguns instantes para ver o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas...
... Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a gente que estava na sala. Redobrou as carícias para a amiga, e quis levá-la; mas o cadáver parece que a retinha também. Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem as palavras desta, mas grande e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã..." (Machado de Assis)
As lagrimas foram-se quase todas... mas a dor da saudade... permanece intocada;
domingo, 28 de novembro de 2010
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Dos amores da mãe I
"Vamos embora companheiro, vamos ... Eles estão por fora do que eu sinto por você!
Me dê sua pata peluda, vamos passear Sentindo o cheiro da rua. Me lamba o rosto, meu querido, lamba E diga que também você me ama
Eu quero ver seu rabo abanando Vamos ficar sem coleira
...Até que a morte nos separe, meu amor!" (Os mutantes)
Benji completou dez anos.
Calma ai... ao processar a ideia me dou conta: foi uma década junto ao ser mais perto da divindade que eu tenho o privilégio de conviver.
Ele chegou com apenas dois meses... um poodle champagne quase marrom, mais peludo do que o normal e mais calmo do que de costume eles são.
Ouso dizer que na natureza teria sido o melhor lider de matilha que poderia existir.
Nós não o escolhemos, a escolha sempre partiu de seu pequeno grande coração.
Um atleta desde novo, quando tinha apenas seis meses comecei a levá-lo para correr...era parte de sua rotina chegar cansado e se espreguiçar na frente do ventilador.
Mimado desde cedo, foi humanizado mais do que o necessario e acabou por nos tranformar em parte cães.
Aprendi com ele a ser feliz com as pequenas coisas que cercam meu dia a dia:
um dia de sol, uma flor no caminho, uma arvore de sombra gostosa, um pouco de agua fresca em dias quentes... o vento batento no rosto.
Benji, meu lindo Benji!
Será voce apenas um cachorro? Ou também um pouco gente?
Eu sinto a centelha divina em ti cintilar, e nos atrair.
Não é só porque voce esta ficando velhinho que vai se livrar dos meus abraços, dos nossos beijos molhados e das minhas magoas confessas.
O seu lugar esta sempre reservado na minha cama e meu travesseiro pode roubar...eu não ligo se deitar.
FIca comigo pra sempre vai? A minha alma gemea canina é você...
se duvida é só perguntar, eu nunca aprendi a te dizer não.
Eu só sei todo dia ... minuto a minuto... te amar.
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