terça-feira, 31 de agosto de 2010

Dos amores de mãe

"Se você quiser realmente aproveitar a companhia de um cão, não o treine para ser um 'semi-humano'. Abra seu espírito para a possibilidade de tornar-se, parcialmente, um deles."
(Edward Hoagland)

Há quem diga que os cães são sujos, outros que não os querem por perto e os mais radicais afirmam que não deveriam existir.
Não imagino uma forma de escrever sobre o tema sem me envolver.
Os cães... falar sobre eles é como falar de algo tão sublime como a leitura, acho que ainda mais.
Os sentimentos que me unem a eles.
Acho que por esse motivo tenho 2, mas se pudesse teria uma matilha.
Acredito que a verdadeira magia desses seres tão fantasticos esteja na forma em que existem em total sintonia com a Mãe natureza.
Não desejam ser iguais a nós humanos, pelo contrario, resgatam em nós a nossa forma mais primitiva de existir: como animais.
E animais que somos, desejamos a sintonia com o cosmos, aquele sexto sentido que perdemos há muito e o que mais doi...sermos nós mesmos. UM. Em todas as ocasioes.

Sem máscaras.

Eles são anjos, de quatro patas, tão eles mesmos que nos afetam.
Inspiram.

Quem dera um dia aprendermos que sem eles o mundo seria tão vazio.
Tão escuro. Frio.

Por não serem semi-humanos aprendemos com seres diferentes e primitivos que conseguiram ser tudo que queriam.... inclusive ELES MESMOS.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Fe-licidade

Ele tinha o sorriso mais bonito do mundo.
Anos depois quando me recordasse do seu nome seria essa a caracteristica mais marcante naquele ser. Feito de sonho e solidão.


Quando desci aquelas escadas toda pintada o avistei do outro lado da rua, era notavel a minha queda evidente por ele. Por aquele sorriso.
Nossos olhares por fim se cruzaram e o magnetismo que a atmosfera exercia sobre meu eu, também parecia o prender a mim.
A menina que estava ao seu lado, de súbito foi ignorada. Não entendeu o porque da negação inusitada.



Ele me olhava!
Olhava e sorria.
Seu sorriso tinha gosto de: FE-licidade.



Era embriagante estar ao lado dele em meio ao caos pós trote.
Ele um veterano, Ela apenas caloura.
Tão novata quanto ele nas disciplinas do amor.
O cheiro dele de tão suave chegava a ser nostalgico, sua pele que de tão branca quase brilhava; no escuro do bar ele parecia se destacar.
Um em um milhão.
E quanta solidão continha aquele coração?


Não aquela de estar sem namorada. A sua falta era diferente.
Tinha falta de estar dentro, de conexão consigo mesmo, era desprovido de tempo e de espaço. Não se encontrava no contexto exato.


Conhecia a geografia das montanhas, dos mares, dos céus. Mas desconhecia-se.
Era forte, mas sentia-se frágil.
Ao contrario dos homens comuns não nasceu pra ficar sozinho.
Negava-se a amores vãos, seu coração ficava guardado dentro do peito, numa redoma de cristal...até aquele momento somente uma donna o havia possuido e o quebrara com descaso.
A outra que me assombrava naquela atmosfera toda.
Conversavamos ignorando os outros,descobrimos afinidades e dispariedades, sentiamos falta do que não vivemos e uma saudade absurda do que não poderiamos viver.
A confiança que exigia de mim o fazia abrir-se pouco a pouco naquela conversa de bar.
Julgava-se invisivel, esquecendo-se completamente que eu o estava enxergando tão bem, a ponto de sentir sua alma.
Adivinhava as palavras mesmo que essas não lhe saissem pela boca.
Seu olhar revelava um pedaço do seu coração partido.
Mesmo com tanta confusão a nossa volta...eramos um do outro naquele breve instante.


Depois desse dia nos perdemos.
Ele me procurando e não encontrando, eu o desejando sem que ele soubesse.
Pareciamos estar caminhando na contramão do amor.
Meses mais tarde ao telefone, combinamos ao admitir: A gente ria tanto desses nossos desencontros.
Não poderiamos apressar o cosmos, o reencontro aconteceria quando estivessemos prontos.


Tantas palavras trocadas, tantos planos. A urgencia do encontro tão esperado.
Nesse dia o céu pareceu concordar. O cenario estava armado:
- Oi!! - braços abertos...e o sorriso mais lindo do mundo na face rubra e febril.
Seguido dos beijos tão desejamos.
- Tchau pedaço de Fe-licidade.


Nos perdemos a partir dai.
Mas haveria para sempre a lembrança do sorriso que fazia os meus dias terem cor e sabor.
Do rapaz que aos poucos me ensinou um pouco de tudo o que eu precisava saber: a sonhar, a arte de esperar, a curiosidade necessaria para aprofundar-me nos mares desconhecidos.
A descobrir além da topografia do corpo.
A Sentir-me no limite da emoção.


A ponto de desejar apenas morrer de amor. (Seria possivel?)


Uma noite me lembrei de suas palavras ao telefone:
- Eu quero ter você a vida inteira. Longe ou perto. Dentro.


Sorri.