sexta-feira, 9 de abril de 2010

Do tempo em que do amor...só restou o pó

♪ Só nos sobrou do amor a falta que ficou ♪ Legião Urbana



Relembro nossos momentos de cumplicidade com muita saudade.
Ainda posso ouvir os sorrisos das primeiras impressões trocadas na chegada ao nosso pequeno apartamento.
As malas, as apostilas, as mochilas coloridas...e aquele brilho nos olhs que há muito se esvaiu.
Nossos segredos tão secretos e tão nossos confessados nas madrugadas insones quando costumavamos desejar que o sol não voltasse a nascer.
Não naquele momento. Éramos uma familia formada só por meninas.
O cheiro das comidas exoticas e o barulho das panelas ainda novinhas ... coisas simples que ainda recordo quando entro naquele cômodo isolado.
A casa com seu ar novo explodia de vida junto com a nossa alegria de viver e compartilhar aquele momento.
As primeiras arrumações, as divisões ... atos que sumiram com o tempo.
A republica do 203 tornou-se aos poucos o nosso lar. Diga-se de passagem que éramos conhecidas na faculdade como: a maior concentração de mulheres bonitas e inteligentes por metro quadrado.
Eu ainda posso jurar que ouço a risada da Lara chegando feliz e realizada logo após uma boa dose de alcool na veia voltando de uma noite no bar. Linda...era absurdamente linda com sua pele alva e seus desejos utópicos.
A Luiza ...ainda vejo a Lu abraçando a Lara numa cena tão tocante...nós três no quarto e aquela grande incerteza sobre o que haveria de acontecer no dia seguinte em Niteroi. Tão doce era aquela pisciana misteriosa, fascinante e amorosa.
Os cartazes que se espalhavam pela casa...protestos nossos...só nossos.
O dia lindo de sol anunciava a chegada da nossa caçula: Carol.
A minha linda flor...meu querido Bebe. Palavras são inuteis para descrever a magnitudade com que ela preenchia os espaços vazios do meu pobre coração.
O pomo da discórdia: Carliane ("Carmelita"). Seria, centrada, observadora e dedicada.
Chegou pelos cantos e quando me dei por mim...era uma das poucas a defender com unhas e dentes alguem que pouco conhecia. Seu sorriso é o mais famoso da 2009.2 ...conhecido por poucos "alguéns" que a amam como ninguém.
Ju aquela ruiva desvairada que chegou com tantos "fenótipos" e acabou por quebrar os maiores paradigmas. Ela é a mais viva. A maior dedo podre que encontrei na vida.
Que saudades das noites mal dormidas.
E eu...bem eu costumava ser (há muito tempo fui...) a queridinha daquelas meninas.
Geógrafas, Escritoras, Professoras, Poetisas e amadoras.




Um dia o amor que nos unia começou aos poucos a esmorecer.
Resultado de um processo longo e quase sem volta.
O que antes era beleza e virtude, tornou-se feiúra e defeitos imperdoaveis.
A tolerancia aos poucos deixava-nos desamparadas com nossos proprios problemas.


Num momento unico de um profundo silencio: nosso castelo de sonhos ruiu.
Era dificil dar adeus, era inutil tentar traduzir aquele afastamento.
Tão doloroso.




Mas eu ainda me lembro. Juro, que ainda lembro.
Daqueles tempos em que costumavamos agradecer a Deus pelos dias de sol, felizes por existir tanta vida dentro e na atmosfera ao redor de nós.


...Uma lagrima escorre pelo meu rosto nesse exato momento...


Uma saudade imensa invade as veias do meu coração. E dói.
Ver que nossas vidas tomaram rumos tão diferentes daqueles que sonhamos um dia realizar.


Queria novamente um abraço. Um sorriso. Um pouco de nossa antiga felicidade reunida.
E poucas vezes experimentada.


Muitas saudades. MUITAS.

sábado, 3 de abril de 2010

Dos desencontros do destino

“Acabou
Agora ta tudo acabado
Seu vestido estampado
Dei a quem pudesse servir
Agora que eu não posso mais caber em ti
Não quero te ver, dizem que você não quer mais me olhar
Como velhos desconhecidos” (Ana Carolina)

Era noite quando meus olhos de relance cruzaram-se com os imensos olhos que me devoravam naquele pequeno espaço. Reconheci de primeira aquele rosto. Senti na hora o peso daquela atmosfera toda que nos rodeava.

Lembrei-me de ti e do tempo (talvez!) perdido que passei nesses braços definidos pelos pesos que levanta todos os dias naquela concorrida academia.
E pensei também nas coisas que se passaram com a gente. Reles mortais que fomos quando acreditamos silenciosamente naquela loucura toda que nos propomos.

Eu ainda recordo dos dias de chuva e de sol enquanto narrava lembranças da minha infância e esses olhos bicolores que me fitavam do outro lado da mesa de vidro espelhado. Por detrás da tela do computador já muito usado.

Pode rir agora: dos meus sonhos baratos, das minhas ilusões infundadas, dos meus amores abstratos.

Seus olhos irritados que me direcionava há muito o mesmo olhar cansado. Que um dia debocharam dos meus risos ofertados a cão vadio que me implorava um pedaço do meu coração partido.

De repente estranhei de ser eu mesma. E por quê?

Suas palavras transpassavam o meu coração despedaçado como navalhas afiadas. Entravam com precisão nas feridas abertas que ainda sagravam. O sangue parou de circular pelo corpo e começou a escorrer peito a fora, eu tentava inutilmente conte-lo com as mãos atrapalhadas para que pudesse lhe falar mais uma vez do fim que se sucedeu em mim daquele amor afim.

E você não deixava de falar da sua decisão de voltar, da sua ânsia em procurar a perfeição que não mais existia, da vontade de desfazer as cafajestagens entendidas.
O ar mantinha-se serio, profundo, impactante.
Questionava-me o tempo todo que espécie de criatura era você. Me sentia hipnotizada. Tentava a todo custo encaixar a peça do quebra cabeça que sobrava.
Em vão.

Num lapso de lucidez, levantei-me da mesa bruscamente (o rosto serio, o espírito decidido) seu olhar me acompanhou nesse momento exato (extasiado).
Pareciam não acreditar na cena que contemplavam. Não era a mesma menina frágil que conheciam. Não. Negava-me a acreditar naquilo tudo repentinamente. Me corpo já anunciando que as ultimas gotas de sangue iriam cair e dessa vez seria o fim.

Quebrado o pequeno pedaço que havia sobrado daquele amor inesperado; com a cabeça ainda oscilando entre a loucura e a razão...
O grito que veio do fundo anunciou: acabou.
Chega de você, de suas palavras ambíguas, do seu jeito leviano, de sua paixão inibida.

Num ultimo ato de coragem tu segurastes a minha mão. Quando olhei no fundo dos seus imensos olhos senti o abismo que me tragaria se não saísse rapidamente dali. Era quase inútil tentar esquecer aquela loucura toda a qual nos submeti.

Quem pensávamos que éramos para tentar traçar o destino sem usar a força das palavras?

Não sei exatamente o que passou pela minha mente quando decidi sumir. Queria que você viesse atrás de mim, mas não foi assim.
O fio invisível que nos unia rompeu-se. O poder de mudar se evaporou em algum lugar do caminho que não consigo me lembrar.

Dei as costas (já não mais suportava o peso da sua alma). Era muito forte para mim.
Mesmo a metros de ti ainda podia sentir o calor da sua respiração ofegante na minha nuca.
Ainda podia sentir sua indignação diante da minha negação.

Havia parado de chover e o céu estava quase sem nuvens. O calor que saia do asfalto era a única coisa que me preenchiam naquele breve momento na consolides na decisão.

De voce não sei quase nada. Nem poderia saber.

Não resta mais nada daquela ilusão fantasiosa que um dia desejei que fosse outra coisa além de sonho. Nem o vazio da hora tão esperada do reencontro anunciado que chegou atrasado.
Seus olhos fizeram parte de uma multidão sem voz, nem emoção quando atravessei aquela porta.
Nem para trás deu pra olhar tamanha a velocidade que voce deixou-se levar.


Nossos sonhos perderam-se nesse tempo cinza que faz há muito. Junto com as palavras que foram que nunca te direi.Só eu tentando entender o que se passava no meu coração.

“Eu já nem sei se sei de nada ou quase nada...
Eu só sei de mim, só sei de mim, só sei de mim...” (Ricardo Freitas)