Havia um cheiro de coisa nova no ar.
Como quando se está em plena nostalgia a tecer planos para o futuro.
Tão misterioso.
O ar estava leve, insuportavelmente leve.
Era preciso respirar muitas para que enfim as moleculas de oxigenio preenchecem o seu insaciavel pulmão de vida.
Sentia a como se o lirismo houvesse tomado conta do seu modo de viver;
romantica desde nova: fantasiava-se de princesa, montava uma peça com apenas um ato solitario, encenava-a como a atriz principal e recebia os aplausos como uma verdadeira musa.
A platéia? Eram os elementos da natureza.
Eles lhe ofertavam de graça o cenário perfeito no quintal de casa.
Hoje lembra-se com saudades do tempo em que o mundo ainda era colorido e não havia pressa em seu coração. O ar era calmo.
Sentada no marmore da janela pela manha resolveu traçar os primeiros planos para um futuro bem próximo com Ele.
O dia era convidativo a isso.
Partiu pra ação, papel e caneta na mão, começava a estabelecer as prioridades (mas havia tantas prioridades!), a escolher as metas, a sorrir com os objetivos.
São tão infinitas as possibilidades de amor entre duas pessoas.
Com Ele o ar tinha gosto de sabado.
Todo dia era um dia novo.
Ainda ha tanto a aprender com aquele "homem forte de ombros tão curvos".
Tão saboroso o aprendizado.
Ao escolherem-se mutuamente desejavam respirar o mesmo ar.
Ser um do outro em plenitude de vida.
Os planos eram o primeiro passo. Já não bastava os que traçaram outrora quando ainda eram tão imaturos nas ilusões do amor, agora necessitavam de promessas, ações e garatias.
A entrega é sem fim.
Quando encenava suas peças de teatro infantis em sua mente quando abria os olhos e deparava-se com a face de seu cavalheiro errante sua reação era sempre indiferente diante de tantas faces iguais e sem cor de homens que tem cheiro apenas de perfume que tentavam traze-la de volta a vida morna que havia se recusado a viver.
Ela sabia quanto é duro abrir-se pra alguem que não conseguiria ver e nem manisfetar a singularide do Ser.
Recusava-se a acordar de seu sono sem sonhos de séculos inteiros.
Quando adulta já farta de dormir, o corpo dolorido pela inercia e cansada dos fiascos amorosos dos que tentaram em vão matar sua esperança.
Finalmente encontrou o cavalheiro que a fez despertar/reinventar/re-descobrir o gosto da Felicidade.
Atualmente vivem juntos em seu castelo só de sonhos, adornado de paciencia e cumplicidade.
E tentam vencer todos os dias o fantasma da solidão a dois que tenta tornar o que é unico em fragmentos de um nada.
Até agora sairam-se bem. Queimaram os barcos de volta.
Amam-se.
Por tempo indeterminado. Sem prazo de validade.
Muito além do fim dos aplausos e do cair das cortinas.