sábado, 17 de outubro de 2009

Das drogas viciantes da vida II

"Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!"



Era chegada a hora do sono depois de uma noite em claro. Por mais que ela não quisesse dormir era necessário respirar e deixar seu corpo repousar.
Ao deitar-se na cama elá só pensava nele e na magia que os envolvia.
Antes de dormir relembrou de relance os ultimos instantes junto dele, antes da momentânea separação: ambos se olhavam de forma hipnotica, novamente o enlace dos corpos, os cheiros, o beijo apaixonante....o beijo na mão da despedida...a promessa.
Sim, a promessa foi cumprida muito antes do esperado; chegou em forma de sms.
Ele escreveu: -Simplesmente Perfeito.
Ela lia, relia na esperança de que aquelas palavras dissessem mais do que diziam.
Havia sido mesmo real e ambos partilhavam a mesma opnião. Mas o rapaz foi mais rapido que a moça e transformou a sensação em palavras. Ele havia traduzido as emoções, verbalizou, escreveu e eternizou o sentimento que corria em suas veias.
Era a primeira vez que lhe diziam isso depois de um encontro. E mesmo estando deitada em sua cama, sentia seu corpo levitar.
Nao entendia de onde saia aquela sensação de puro extase. A paixão corria livremente pela sua corrente sanguinea causando uma reação quimica impossivel de descrever.
Mordia os lábios ao lembrar do toque dele em sua pele. Era mais do que um orgasmo.
A energia que havia passado da mensagem à mão, da mão ao corpo, do corpo ao coração, do coração ao cerebro... liberava cada vez mais endorfina, o que a fazia se contorcer de tanto vigor.
Sentia a necessidade, mas não a vontade de dormir.
Preferiu um banho lépido, gelado pensando que assim seu corpo seria enganado pela frieza da agua que o percoria, mas foi em vão.
O gelo só a fazia lembrar do calor que continha.
Se ele desaparece na face da terra, em sua pele o encontrariam. Suas digitais eram quase visiveis pelos caminhos do seu corpo.
Ainda sentia o luxo radioso daquelas sensações todas, mas o sono se fez mais uma vez abundante e teve de dormir.
Descansou o suficiente para mais um dia de vida. E esperou o fim da promessa.
Acordou e seu conta de que havia "obrigações" a cumprir e as fez como se nada pudesse acabar com a rara calma que sentia.
Pensava nele demasiadamente.
Jamais imaginara que aquela sensação de satisfação seria tão intensa. Pensou que após satisfazer o desejo carnal ele passaria como uma tempestade de verão.
Foi pega de surpresa. Estava de quatro por ele. Só por ele.
Estava num misto de felicidade e medo incontrolavel...se deu conta de que encontrava-se na beira do precipicio e sorriu. Era gostoso estar onde estava. Olhou para o abismo com olhos gulosos e se jogou...a paixão a estava esperando de braços abertos.
Nao temeu as mudanças de estação...sentia que podia "tocar o lugar mais alto céu com as próprias mãos". E era ele o seu inicio.


No fim da tarde o seu telefone tocou. O sorriso que brotou em sua face já dizia mais do que as palavras que lhe sucederam.
Ele pareceu ouvir quando ela o chamou com o coraçao aos pulos.
Iriam se encontrar mais uma vez.


Encontraran-se junto aos amigos que compartilharam com eles as primeiras sensações.
Era visível a felicidade nos olhares cumplices que trocavam.
Foram felizes novamente. Trocaram beijos, afetos, sorrisos...palavras.
Externaram o que de melhor tinham.
Outra despedida rápida. Ela novamente o esperaria de braços abertos.
As declarações dela começaram...não conseguia conter o que sentia por ele.
Ao reencontraren-se outra proposta de novamente partirem pra noite.


Era arriscado correr esse risco novamente...mas precisava disso pra sentir-se ViVa .
Como só aquele homem de pele morena sabia fazer.


Deram novamente as maos e partiram para mais uma noite que nem os poetas conseguiram viver com sua grande amor.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Das drogas viciantes da vida I

"I. O início do tempo que nos espera..até tudo virar poeira" (Skank)

Ele e ela eram amigos de curto prazo.
Apesar do tempo em que sabiam da existência um do outro, nunca pararam para trocar mais de meia dúzia de palavras. O tempo...ou melhor a falta dele era sempre uma desculpa viável.
Eram estranhos em si. Ao se olharem reconheciam sua estranheza.
Um dia o destino resolveu mostrar as garras e ambos foram apresentados de uma forma intensa...seria idiotice deixar a oportunidade oferecida escapar.
Agora eram o que se podia chamar de amigos por afinidade.
A amizade atingiu um ponto em que os segredos deixaram de existir.
Ambos conheciam a alma um do outro, suas incertezas, seus medos e envolvimentos amorosos e carnais.
Não sabiam exatamente o que queriam, mas os dois tinham certeza do que não desejam para si. E assim levavam seus dias...
Até o momento em que o desejo carnal ainda oculto entre eles se manifestou.
Sentiram antes de racionalizar que ainda existiam segredos um no outro a descobrir...e embarcaram numa jornada emocionante.
As descobertas começaram a ser feitas; com olhos, boca, mãos, tesão.
Porém primeiro vieram as palavras...sim as palavras foram a sua fonte de entendimento desde o principio. Conversaram verdades nuas e cruas, colocaram seus corações em pratos nada limpos, exporam as suas almas e chegaram a conclusão de que de uma hora para outra o desejo seria incontrolável.
Depois a curiosidade os fez ficar com os pêlos da nuca arrepiados. O nível de feromônios subiu de tal forma que foi impossível controlar o tesão que sentiram mesmo estando separados por varios quilometros.
Ao se estimularem e revelarem seus desejos pela tela do computador tornaram real o sentimento de urgencia que só a paixão produz em dois corpos simultaneamente.
O mal estava feito. A decisão estava tomada. Seriam um do outro. Sem vergonha e sem juízos.
Com o passar da semana ela decidiu que havia chegado (finalmente) a hora de encontrá-lo. Saiu de sua casa no meio do nada e veio ao lugar onde sabia que iria revê-lo. E esperou sua aparição. Não se preocupava com o tempo, somente com a entrega.
Ele não perdeu deixou a oportunidade lhe escapar por entre os dedos da mão. Ligou para ela com a ousadia de um menino crescido e num surto de um segundo lhe propôs o q ela já esperava desde o momento em que pisou do outro lado da baia:
- Vamos nos encontrar?
Ela depois de muita insistência (não queria transparecer todo desejo), respondeu:
- Sim vamos.
Ele fez questão de vir buscá-la com receios latentes no peito: será que ela cederia aos encantos de outro cavalheiro? Será que ela o esperaria com toda sua pompa? Qual seria a gravidade do encontro real dos dois?
Confiou em si mesmo e em sua capacidade adulta de escolher o melhor e fazer o melhor. Vestiu-se com a sua coragem e auto-estima. E foi encontra-lá decidido a possuí-la por inteiro.
Ao encontrá-la não perdeu tempo em elogios falsos e desnecessários. Disse o básico em tom convincente de verdade:
- Você está linda.
Ela sorriu de felicidade ao agradecer. Seu ego estava afagado com o elogio do homem desejado. Sua vaidade de mulher estava saciada momentâneamente.
Deram as mãos e partiram para a noite que os esperava.
No caminho de uma casa de show, ele teve uma atitude inusitada: pegou na mão dela e colocou um anel no dedo anelar esquerdo e prometeu que essa noite ambos seriam apenas um do outro.
O gesto somente canalizava a energia que os transpassava.
Aparentavam ser novos demais para a programação da boate. Ficaram barrados na entrada, o sugurança exigiu suas identidades, eles deram as mãos e sorriram ante a primeira cilada que encaravam juntos. Ao mostrarem seus documentos ficou comprovado que apesar da idade, ambos ainda eram principiantes nas coisas do coração.
Começaram a curtir a noite, seus varios sons, ritmos e lidaram com um obstáculo precoce: o ciume. Mas eles estavam juntos e isso foi só um contraponto na sinfonia do amor naquele instante.
Até que estando no meio da pista, com o coração aos pulos e o desejo escorrendo pelos poros...eles se beijaram... a saliva dele era mais viciante que LSD e ela não queria deixar o efeito alucinógeno passar, a mão ~dele enroscada em seus cabelos, a outra na cintura a apertá-la contra seu próprio corpo afim de fundir ambos num corpo só, o desejo exalando no ar...enfim a noite chegara ao seu ápice.
O cheiro de perfume, os corpos entrelaçados, o ritmo da musica...tudo contribuía para a entrega total daqueles serem que se beijavam demasiadamente.
Ela não disfarçava o contentamento. Era visivel em seu sorriso o efeito da presença dele em sua vida. Dançavam juntos e pra ela mesmo estando no meio da multidão só existia ele.
Ficava fascinada ao contemplar a quantidade de melanina na pele daquele homem moreno. Sua boca enchia d'agua ao pensar em tocá-lo. Ele sabia como deixá-la excitada. Sua camisa branca a enlouquecia e seu cordão de prata a deixava desejando-o mais.
Porém a noite chegava ao fim. A pista de dança esvaziava, mas eles permaneciam ignorando a improbabilidade daquela jornada.
O dia raiou e ambos continuavam juntos...de mãos dadas, com um brilho único nos olhos. A promessa de um novo dia não os deixava receosos pelo que haveriam de enfrentar. Eram dois adultos desejando que o dia futuro fosse igual ao presente vivido.
E era tudo tao perfeito que ela pedia aos céus para tamanha felicidade não deixar seu corpo descansar. Queria mais...desejava mais... queria a mão dele em seus cabelos castanhos, sua voz grave sussurrando em seu ouvido palavras doces e galanteadoras como só ele sabia fazer com perfeição, a energia térmica que era liberava pelos poros, seus olhos de onça pintada fitando a sua pele morena jogava os nervos de aço dela no chão. A morena está acuada em cima da arvore esperando ser novamente atacada pela fera insaciável que ronda pelo chão.
A biologia era usada para provar como um macho e uma femea poderiam desejar-se de uma forma tão instintiva. O ritual foi feito. A entrega consumada.
Ao refazerem o caminho que os levou a tamanho contentamento continuaram seu dialogo inexplicavel...ele a trouxe para casa com um sorriso nos olhos e com o coração na boca. Não se soltavam. Atraem-se como ímãs.
Ainda não haveria de acabar aí. Não ela pedia ao invés de um amanhecer um novo pôr do sol. É quando a noite cai que a onça pintada com seus olhos de ressaca saem a caça. Ele não falhou em sua missão. Tornou-se lenda na pele dela.
Ao se despedirem ele prometeu ligar... ela acreditou na promessa após perguntar mais de mil vezes e ele confirmar mil e uma que cumpriria a promessa.
Ela pressentiu mais uma vez que o desejo ainda se manifestaria.


E assim ambos sabiam que mesmo dormindo...aquela noite que viveram foi mais do que um SONHO.

domingo, 4 de outubro de 2009

Texto para uma separação (Elisa Lucinda)

Olhe aqui, olhos de azeviche
Vamos acertar as contas
porque é no dia de hoje
que cê vai embora daqui...
Mas antes, por obséquio:
Quer me devolver o equilíbrio?
Quer me dizer por que cê sumiu?
Quer me devolver o sono meu doril?
Quer se tocar e botar meu marcapasso pra consertar?
Quer me deixar na minha?
Quer tirar a mão de dentro da minha calcinha?
Olhe aqui, olhos de azeviche:
Quer parar de torcer pro meu fim
dentro do meu próprio estádio?
Quer parar de saxdoer no meu próprio rádio?
Vem cá, não vai sair assim...
Antes, quer ter a delicadeza de colar meu espelho?
Assim: agora fica de joelhos
e comece a cuspir todos os meus beijos.
Isso. Agora recolhe!
Engole a farta coreografia destas línguas
Varre com a língua esses anseios
Não haverá mais filho
pulsações e instintos animais.
Hoje eu me suicido ingerindo
sete caixas de anticoncepcionais.
Trata-se de um despejo
Dedetize essa chateação que a gente chamou de desejo.
Pronto: última revista
Leve também essa bobagem
que você chamou
de amor à primeira vista.
Olhos de azeviche, vem cá:
Apague esse gosto de pescoço da minha boca!
E leve esses presentes que você me deu:
essa cara de pau, essa textura de verniz.
Tire também esse sentimento de penetração
esse modo com que você me quis
esses ensaios de idas e voltas
essa esfregação
esse bob wilson erotizado
que a gente chamou de tesão.
Pronto. Olhos de azeviche, pode partir!
Estou calma. Quero ficar sozinha
eu co'a minha alma. Agora pode ir.
Gente! Cadê minha alma que estava aqui?



P.S: vá mesmo seu sádico cafajeste, com acuçar e com afeto!